
Cidade da Praia, 03 Ago (Inforpress) – O grupo parlamentar do Movimento para a Democracia (MpD, oposição) acusou hoje o primeiro-ministro de querer transformar a credibilidade internacional do país em instrumento de luta política e exigiu que o mesmo “peça desculpas” aos cabo-verdianos.
A conferência de imprensa do líder da bancada, Luís Carlos Silva, foi convocada na sequência do comunicado do Fundo Monetário Internacional (FMI) sobre as acusações do chefe do Governo, que considerou que as afirmações constituem um “perigo para a economia e para o bom nome de Cabo Verde".
Luís Carlos Silva reiterou que “não existe nenhuma conta oculta ou contas paralelas” e realçou que Cabo Verde tem um sistema de gestão integrado das finanças públicas reconhecido internacionalmente “pela sua transparência, credibilidade e integridade”, e que foi desenvolvido pelo próprio PAICV.
Afirmou que para sustentar a tese de um “país à deriva, de cofres vazios e dilapidado”, o actual primeiro-ministro acusou o Governo anterior liderado por Ulisses Correia e Silva de ter “ludibriado o Fundo Monetário Internacional (FMI)”.
Segundo disse, foi o próprio FMI que desmentiu publicamente Francisco Carvalho, ao esclarecer que não analisou a execução orçamental, não recebeu os dados necessários para o fazer e não produziu nenhuma das conclusões feitas por Carvalho.
“Não estamos perante uma divergência de interpretação, não estamos perante uma imprecisão técnica ou uma frase infeliz proferida por impulso, o primeiro-ministro construiu uma acusação repetiu-a várias vezes e procurou legitimá-la usando indevidamente o nome do FMI”, referiu.
Para o líder do MpD, Cabo Verde construiu, ao longo de décadas, um sistema integrado de gestão das finanças públicas reconhecido pela sua transparência, credibilidade e integridade, dispõe de uma execução orçamental digital, em que as contas públicas são escrutinadas pelo Tribunal de Contas, pelas instituições de controlo nacionais e pelos parceiros internacionais.
Explicou que as alterações orçamentais estão previstas na lei, permitindo incorporar, durante a execução, novos donativos e financiamentos externos.
Considerou que Francisco Carvalho tinha a obrigação de conhecer e de se informar sobre esta realidade antes de lançar “uma acusação de tamanha gravidade”.
“É esta a dimensão da sua irresponsabilidade para impor a tese de um país à deriva, dilapidado e de cofres vazios, colocou em causa aquilo que levamos décadas a construir a confiança nas nossas instituições e a credibilidade das nossas contas públicas”, vincou.
Luís Carlos Silva considerou ainda que a acusação do primeiro-ministro poderá colocar em causa a relação existente entre Cabo Verde e o FMI.
A título de exemplo, indicou o caso do Senegal, que ficou afetado a nível de financiamento e de confiança internacional, por suspeita de dívida pública não declarada.
“A responsabilidade é inteiramente dele, neste momento, não há mais nada a explicar, não há espaço para inventar novas versões ou esconder-se atrás dos serviços e dos técnicos do Estado”, disse o líder da bancada do MpD, que acusou Francisco Carvalho de querer tirar ganhos políticos imediatos.
AV/AA
Inforpress/Fim
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