
Cidade da Praia, 11 Jun (Inforpress) – O candidato à liderança do MpD Orlando Dias apelou hoje aos restantes concorrentes para reconsiderarem as suas candidaturas, defendendo que a actual conjuntura exige uma liderança com representação parlamentar para assegurar uma oposição eficaz ao Governo.
Em entrevista à Rádio de Cabo Verde (RCV), Orlando Dias sustentou que está melhor posicionado para assumir a presidência do maior partido da oposição, argumentando que os outros candidatos não possuem assento parlamentar, o que, na sua perspectiva, dificulta o exercício da liderança política e o confronto directo com o executivo.
“Os outros candidatos para a liderança do MpD nem sequer são deputados. Como é que vão fazer o debate parlamentar com o líder do Governo no parlamento”, questionou, referindo-se aos candidatos Herménio Fernandes, Paulo Veiga e Luís Filipe Tavares.
Segundo o candidato, o partido atravessa uma fase que exige prioridade à reorganização interna e não uma disputa acentuada pela liderança.
Neste sentido, defendeu a escolha de um dirigente focado na reestruturação do MpD, no reforço da militância e na preparação das próximas eleições autárquicas.
“Devemos ter uma liderança que não pretenda ser primeiro-ministro, mas que tenha como objectivo organizar o partido, estruturar o partido, recensear novos militantes e trabalhar para um bom resultado nas eleições autárquicas”, afirmou.
Orlando Dias propôs que, concluída esta fase de reorganização, o MpD realize uma nova convenção em 2029, altura em que os actuais candidatos mais jovens poderão voltar a posicionar-se para disputar a liderança.
O candidato aconselhou igualmente Luís Filipe Tavares a retirar a candidatura, alegando que, após 13 anos como vice-presidente do partido, dificilmente conseguirá representar uma proposta de renovação para o MpD.
Revelou estar a promover contactos com os restantes candidatos no sentido de construir consensos internos. Disse já ter conversado com Paulo Veiga e manifestou disponibilidade para dialogar com Herménio Fernandes e Luís Filipe Tavares.
“Estou a trabalhar para que haja um consenso, para que racionalmente pensemos o partido e percebamos que, nesta fase, o MpD precisa de ser reorganizado”, apontou.
Para Dias, a ausência de representação parlamentar dos seus adversários constitui uma limitação política relevante, questionando de que forma poderão exercer a oposição e afirmar-se como líderes partidários fora do Parlamento.
“Como não têm espaço parlamentar, como é que vão promover-se enquanto líderes? Vão fazer oposição na televisão, na rádio, na rua, nos bairros”, voltou a questionar.
LC/AA
Inforpress/Fim
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