
Lisboa, 07 Nov (Inforpress) – O poeta, jurista e ensaísta José Luís Hopffer Almada apresenta hoje, em Lisboa, o primeiro volume da trilogia dedicada a Amílcar Cabral e à recepção do seu pensamento nos períodos colonial e pós-independência, sobretudo em Cabo Verde.
Intitulada “Amílcar Cabral – O Maior Morto Imortal dos Povos de Cabo Verde e da Guiné-Bissau, dos Pontos de Vista Histórico e Político-Simbólico”, a obra será apresentada às 17:00, na Associação Cabo-verdiana de Lisboa.
Segundo o autor, o livro está dividido em duas partes: uma literária, que reúne a versão mais recente da sua Autobiografia Ortónima, poemas dedicados a Amílcar Cabral e à luta libertária dos dois povos, além de um ensaio crítico sobre o romance A Última Lua de Homem Grande, de Mário Lúcio Sousa, e outra exclusivamente ensaística.
Esta última aborda a luta nativista pelos direitos de cidadania dos cabo-verdianos, o movimento claridoso, o nacionalismo cabo-verdiano e a luta do PAIGC, fundado e liderado por Amílcar Cabral, para a independência da Guiné-Bissau e de Cabo Verde, no quadro da unidade entre os dois territórios e da unidade africana.
Em entrevista à Inforpress, José Luís Hopffer C. Almada explicou que analisa igualmente a implantação dos regimes de partido único nos dois países, de orientação socializante, e as vicissitudes da aplicação do princípio da unidade Guiné-Cabo Verde, até ao golpe de Estado de 14 de Novembro de 1980, na Guiné-Bissau.
O segundo volume será dedicado à sobrevivência do regime de partido único em Cabo Verde, até à abertura política ao pluralismo, anunciada em 19 de Fevereiro de 1990.
O terceiro abordará a implantação e consolidação da democracia no país, desde a transição política até às eleições legislativas de Maio e presidenciais de Novembro de 2026.
Nascido a 09 de Dezembro de 1960, em Quelém/Pombal, Santa Catarina, ilha de Santiago, o escritor cresceu na Assomada e frequentou o liceu na cidade da Praia.
Entre as suas obras destacam-se Assomada Nocturna, cuja primeira versão foi escrita em 1982, em Leipzig, na Alemanha, e publicada em livro em 1993, À Sombra do Sol (1990), Praianas – Revisitações do Tempo e da Cidade (2009), Rememoração do Tempo e da Humidade (2015/2016), Sonhos Caminhantes (2017), Germinações e Outras Restituições de Março (2019) e Deflagrações (2021).
Com intervenção na promoção da literatura e da cultura cabo-verdianas, participou na fundação do Movimento Pró-Cultura, em 1986, e da Associação dos Escritores Cabo-Verdianos, em 1989.
Organizou ainda a antologia Mirabilis – de Veias ao Sol e integrou a revista Fragmentos, publicada entre 1987 e 1998.
JMV/HF
Inforpress/fim
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