
Cidade da Praia, 07 Nov (Inforpress) – A educadora Gilda Luz defendeu hoje o reforço da prevenção da violência e do abuso sexual infantil através de actividades lúdico-pedagógicas nas escolas, para ensinar às crianças os limites do corpo e o respeito pelo outro.
A posição foi manifestada à Inforpress, no âmbito do trabalho que desenvolve através do projecto pedagógico “Aprenda, Brincando e Educa” e da “Fundação dretu”, com iniciativas de sensibilização dirigidas a crianças, professores, famílias e comunidades.
Gilda Luz explicou que criou a página pedagógica durante o período de confinamento, inicialmente destinada à partilha de conteúdos educativos e materiais de apoio a pais e professores, tendo posteriormente orientado a iniciativa para a prevenção da violência e do abuso sexual contra crianças e adolescentes.
A educadora, que participou na fase experimental da pluridocência e trabalhou durante vários anos nesse modelo de ensino, do primeiro ao sexto ano de escolaridade, afirmou que a sua intervenção passou gradualmente das redes sociais para o trabalho directo nas escolas e comunidades, através de palestras, formações e actividades educativas.
Segundo explicou, a abordagem assenta numa dinâmica denominada “Semáforo do Toque”, desenvolvida de forma lúdica, com recurso a bonecos, cores e materiais pedagógicos, para ensinar às crianças os limites do corpo, o direito de dizer não, o respeito pelo corpo do outro e os mecanismos de denúncia.
“Eu não vou lá para buscar nem os agressores e tampouco as vítimas”, esclareceu, sublinhando que o objectivo das actividades não é identificar casos concretos, mas dotar as crianças de conhecimentos que lhes permitam reconhecer situações inadequadas e procurar ajuda.
Na sua perspectiva, esta metodologia facilita a comunicação com as crianças e as comunidades, permitindo abordar um tema delicado de forma acessível e compreensível, sem expor directamente vítimas ou possíveis agressores.
Apesar dos resultados positivos que afirma receber das actividades realizadas, Gilda Luz reconheceu que uma das principais dificuldades está no acesso às instituições e comunidades, sobretudo quando os pedidos de intervenção não obtêm autorização.
A educadora manifestou igualmente preocupação com a persistência de casos de violência e abuso sexual contra crianças, apesar das acções de sensibilização desenvolvidas no terreno.
“Será que nós estamos a fazer correctamente o nosso trabalho? Será que é desta forma que nós estamos a conseguir alcançar quem precisa realmente?”, questionou, reconhecendo a frustração sentida pelos profissionais e activistas que trabalham diariamente na prevenção desta problemática.
Contudo, defendeu que o surgimento de novos casos não deve levar à interrupção das iniciativas de sensibilização, mas antes reforçar a necessidade de intensificar o trabalho para reduzir ao mínimo possível o número de crianças vítimas de violência e abuso sexual.
Para Gilda Luz, a prevenção exige um compromisso colectivo e uma responsabilidade acrescida de toda a sociedade na protecção da infância, através da educação, da sensibilização e da criação de condições para que as crianças conheçam os seus direitos e saibam reconhecer situações de risco e procurar ajuda.
KA/JMV
Inforpress/Fim
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