
Cidade da Praia, 07 Abr (Inforpress) – O presidente da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID-oposição) afirmou hoje, na Praia, que o partido entregou listas “fortes” e em conformidade com a lei para as eleições legislativas de 17 de Maio, manifestando-se convicto num “bom” desempenho eleitoral.
Em declarações à Inforpress, à margem do acto de entrega das candidaturas no Tribunal da Comarca da Praia, João Santos Luís indicou que a UCID concorre em dez círculos eleitorais, abrangendo o território nacional e a diáspora.
“Acabámos de entregar efectivamente as nossas listas (…) e estamos convictos de que preenchem todos os requisitos constantes na lei, para além da paridade de género”, garantiu o líder democrata-cristão.
Segundo ele, são listas “muito fortes”, que contemplam quadros da sociedade civil, independentes e cidadãos que querem dar a sua contribuição para o desenvolvimento de Cabo Verde.
O dirigente máximo do partido democrata-cristão adiantou que as listas integram 135 candidatos, com destaque para a presença de jovens, sendo cerca de 50 por cento com idade igual ou inferior a 35 anos, e “um equilíbrio entre homens e mulheres”.
Questionado sobre as prioridades do partido, João Santos Luís apontou, em primeiro lugar, a necessidade de descentralização do país, criticando o que considera ser um “modelo excessivamente centralizado”.
“Há 50 anos temos um poder excessivamente centralizado. O que existe é desconcentração administrativa, que não é descentralização”, sustentou, defendendo maior autonomia das ilhas para potenciar o desenvolvimento nacional.
A reforma do Estado é outra das apostas da UCID, tendo o seu presidente considerado que o país dispõe actualmente de “um Estado pesado”, que limita a disponibilização de recursos para sectores essenciais como educação, saúde, segurança e economia.
Por outro lado, sublinhou o elevado custo de vida como uma das principais preocupações dos cabo-verdianos.
“Todas as famílias cabo-verdianas estão a sentir o peso do custo de vida (…) e queremos trabalhar no sentido da sua redução”, assegurou.
No domínio social, defendeu a reposição de direitos laborais e maior justiça social, apontando situações que, no seu entender, carecem de resolução, nomeadamente dívidas do Estado a antigos trabalhadores da antiga Empresa Pública de Abastecimento (Empa) e melhores condições para profissionais do sector da segurança privada.
Relativamente ao emprego, considerou o desemprego jovem um “problema grave”, advogando a criação de condições económicas que evitem a saída de jovens das ilhas ou do país à procura de oportunidades.
“O esforço que tem sido feito ainda não chega às pessoas”, disse, sublinhando que a democracia deve traduzir-se em benefícios concretos para os cidadãos.
No plano político, João Santos Luís manifestou-se convicto de que as eleições de 17 de Maio não resultarão numa maioria absoluta, defendendo um Parlamento mais equilibrado e independente.
“Este país já não aguenta mais maiorias absolutas”, asseverou, acrescentando que a UCID pretende contribuir para uma governação baseada no diálogo, transparência e maior fiscalização.
O líder partidário apelou ainda à participação dos eleitores no escrutínio, defendendo que os cidadãos devem analisar as propostas dos partidos e votar de forma consciente.
Nos círculos eleitorais no território nacional vão estar em disputa 66 deputados distribuídos por Santo Antão (6), São Vicente (10), São Nicolau (2), Sal (4), Boa Vista (2), Maio (2), Santiago Sul (19), Santiago Norte (14), Fogo (5) e Brava (2).
Relativamente ao estrangeiro, cada um dos três círculos eleitorais vai eleger dois deputados, em representação da África (2), América (2) e Europa e Resto do Mundo (2).
Segundo a Comissão Nacional de Eleições (CNE), o número de mandatos por círculos a eleger nas eleições de 17 de Maio não sofreu alterações em relação às legislativas de 2021.
LC/ZS
Inforpress/Fim
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