
Espargos, 02 Mar (Inforpress) – Profissionais da rede de atendimento a vítimas de Violência Baseada no Género (VBG) na ilha do Sal participam numa formação de dois dias, visando o reforço de competências técnicas e a articulação institucional.
A iniciativa, que decorre na Biblioteca Municipal dos Espargos, é promovida pela Fundação Espanhola Religiosos para a Saúde (FRS), em parceria com os Irmãos Capuchinhos e a Congregação das Filhas do Sagrado Coração de Maria, reunindo diversas entidades que actuam na linha da frente da prevenção e do atendimento.
Em declarações à imprensa, a consultora da FRS, Margarete da Luz, explicou que a acção formativa foca na compreensão das raízes do problema, abordando a VBG como um dos efeitos da construção social de género.
"A formação, além de garantir a integração das vítimas, passa por um processo de compreensão de qual é a raiz do problema. Pretendemos abordar como é que se constrói e quais são os precedentes dessa violência", sublinhou a consultora, reforçando que a formação visa atingir os formandos "enquanto profissionais e enquanto pessoas".
Apesar dos avanços e da existência de infra-estruturas de apoio, Margarete da Luz apontou que ainda persistem desafios significativos no que toca ao acolhimento e à actuação dos profissionais, nomeadamente ao nível dos recursos humanos para dar assistência contínua às mulheres durante o período de permanência nas casas de acolhimento.
Para a consultora, um dos pontos “fundamentais” da intervenção deve ser a "consciencialização e a auto responsabilidade", trabalhando a autoestima da pessoa que passou por uma situação de vitimização, sem focar na culpa, mas sim no reconhecimento do percurso que levou à perpetuação da violência.
"A pessoa não é uma vítima, mas sim uma pessoa que passou por uma situação em que se tornou vítima", defendeu, sustentando a necessidade de uma abordagem que resgate a dignidade e o protagonismo dessas mulheres.
A formação, que se prolonga até ao dia 03 de Março, aborda diversos painéis sobre a construção do género e os seus impactos sociais, integrando o plano de actividades das organizações religiosas e de saúde que operam na ilha no combate à violência doméstica e de género.
NA/ZS
Inforpress/Fim
Partilhar