
Porto Inglês, 06 Nov (Inforpress) - A Fundação Maio Biodiversidade (FMB) alertou hoje para uma redução substancial no financiamento do programa de conservação das tartarugas marinhas e a persistência da apanha ilegal da espécie, defendendo o reforço urgente da acção de fiscalização na ilha.
Em declarações à Inforpress, após a apresentação pública dos dados preliminares da temporada de desova de 2026, o coordenador do Programa de Conservação de Base Comunitária, Herval Silva, apontou a redução do financiamento como um dos obstáculos à protecção das tartarugas marinhas.
“Este ano registámos uma redução de cerca de 40% no orçamento, se comparado com os últimos três anos, o que, de certa forma, comprometeu os trabalhos de conservação das tartarugas em toda a ilha”, revelou o responsável.
De acordo com Herval Silva, a contenção orçamental forçou a redução dos efectivos das equipas de patrulhamento e monitorização nas praias da ilha do Maio, com reflexos directos na diminuição dos postos de trabalho sazonais gerados nas comunidades locais durante a época de desova.
A apanha ilegal de tartarugas marinhas e a necessidade de reforçar a fiscalização constituem igualmente desafios relevantes para a conservação da espécie, tendo sido contabilizados 79 casos de abate ao longo da presente campanha.
“A ilha do Maio ainda é a que regista mais apanha. Temos estado a identificar infracções e não podemos actuar. Entendemos que é preciso mais atenção das autoridades locais para a fiscalização da nossa biodiversidade e dos nossos recursos”, reclamou Herval Silva.
Não obstante os condicionalismos financeiros e operacionais, a FMB fez um balanço globalmente positivo da época de desova das tartarugas marinhas na ilha, que decorreu de Junho a Outubro, com o registo de 11.293 ninhos de tartaruga-cabeçuda.
No âmbito das operações de salvaguarda desenvolvidas pela organização não-governamental, foram monitorizadas 4.808 tartarugas marinhas, resgatadas 55 tartarugas em situação de risco e transferidos 110 ninhos vulneráveis para viveiros de incubação protegidos.
A ilha do Maio é considerada um ponto estratégico para a conservação das tartarugas marinhas, graças à forte mobilização comunitária, posicionando-se entre as cinco maiores colónias de desova de tartaruga-cabeçuda do mundo e como a terceira a nível nacional.
RL/CP
Inforpress/Fim
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