Festival Nhu Santo Amaro desafia o frio e mantém Tarrafal acordado até ao sol alto

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Festival Nhu Santo Amaro desafia o frio e mantém Tarrafal acordado até ao sol alto
17/01/26 - 12:50 pm

Tarrafal, 17 Jan (Inforpress) – A madrugada do primeiro dia do Festival de Música Nhu Santo Amaro 2026 começou fria, mas terminou com sol alto e um público “incansável” a transformar a orla marítima de Ponta d’Atum num grande palco de afectos.

Foi uma verdadeira maratona de ritmos e emoções, com milhares de pessoas a resistirem ao cansaço para celebrar os seus artistas até depois das 09:00.

O evento arrancou por volta das 00:00, duas horas após o horário inicialmente previsto, atraso que mereceu reparos de alguns festivaleiros, assim como o intervalo entre actuações.

Ainda assim, a enchente de gente e o civismo marcaram a noite, confirmando a força deste que é um dos maiores cartazes culturais de Santiago Norte.

As primeiras vozes a subir ao palco foram talentos locais, seguidos por Nuno di Guetto, filho do concelho, que confessou estar a realizar um sonho ao cantar perante a sua gente.

Depois, Milene Gomes e Ana Mileida tomaram conta do recinto com temas como “Nada ka ta derrubam” e “Família é ku família”.

À Inforpress, Ana Mileida considerou que o público correspondeu às expectativas, apesar de alguns constrangimentos técnicos, e prometeu que vão continuar a inovar no universo do batuque.

Com outra sonoridade, o grupo Cordas do Sol trouxe clássicos como “Flor de Paul”, “Shô pardal”, “Pexera”, entre outros.

O vocalista Arlindo Évora explicou que a intenção foi apresentar um espetáculo “mais adulto, para ouvir e apreciar”, e anunciou que a digressão dos 25 anos do grupo vai passar por várias ilhas e pela diáspora ao longo de 2026.

Já perto das 05:00, Chando Graciosa subiu ao palco entre fogo-de-artifício, abrindo caminho para Beto Dias, que iniciou a actuação com o emblemático “Santo Amaro”.

Beto disse à Inforpress que cantar em casa tem sempre “um sabor especial” e reiterou que músicos já com uma certa idade deveriam actuar mais cedo.

Márcia Cruz, estreante no festival, falou de um ano que se anuncia repleto de palcos, enquanto Leo Pereira terminou o concerto no meio do público, num momento de grande proximidade.

Garry entrou às 08:00 com um repertório que passeou entre sucessos antigos e recentes, emocionando os presentes.

Quando Rod Wires subiu ao palco, por volta das 09:00, o sol já brilhava forte e o público levantava do chão uma nuvem de poeira – um “fumo de terra” que se tornou imagem simbólica desta edição, substituindo assim o fumo artificial que se costuma colocar nos palcos.

Os vendedores ambulantes mostraram-se satisfeitos com o movimento e esperam melhores resultados no segundo e último dia do festival, que terá Dynamo, Don Kikas, Suzy, Tony Fika e outros nomes em cartaz.

Dedicado às vítimas das últimas chuvas e integrado nas festas de Santo Amaro Abade, assinalado a 15 de Janeiro. 

A organização foi elogiada pela aposta no saneamento, com equipas de limpeza a actuar durante toda a noite, e pelo dispositivo de segurança assegurado pela Polícia Nacional e empresas privadas.

Segundo a PN, não se registaram ocorrências de relevo nem na ordem pública, nem no trânsito.

MC/ZS

Inforpress/Fim

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