ENTREVISTA: José Luís Hopffer Almada defende identidade crioula ligada à diversidade cultural africana

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ENTREVISTA: José Luís Hopffer Almada defende identidade crioula ligada à diversidade cultural africana
26/10/26 - 11:29 am

Cidade da Praia, 26 Out (Inforpress) – O escritor e ensaísta cabo-verdiano José Luís Hopffer C. Almada considera que Cabo Verde é simultaneamente um país meso-atlântico, peri-africano e peri-ocidental, mas também crioulo e plenamente integrado na diversidade cultural africana.

Na sua perspectiva, Cabo Verde constitui um Novo Mundo resultante da expansão marítima europeia, do tráfico negreiro e do comércio triangular, sem que essa formação histórica tenha significado o afastamento do arquipélago das suas raízes africanas.

“Cabo Verde é um Novo Mundo que nunca saiu de África”, afirmou o autor, ao sintetizar a sua visão sobre a identidade cabo-verdiana e a relação histórica e cultural do arquipélago com o continente.

Para José Luís Hopffer Almada, a condição insular e atlântica do país não deve ser interpretada como uma ruptura com África, uma vez que a sociedade cabo-verdiana, apesar da sua especificidade histórica e cultural, permanece inserida na diversidade dos povos e das culturas africanas.

O escritor defende que a identidade nacional deve ser compreendida a partir da articulação entre a dimensão crioula e atlântica do arquipélago e a sua pertença ao espaço cultural africano, sem desvalorizar as diferentes influências que contribuíram para a formação histórica do país.

Na leitura do também jurista, a diversidade cultural africana estende-se de norte a sul e de oeste a leste do continente, abrangendo igualmente as ilhas periféricas habitadas por descendentes de populações negro-africanas, europeias ocidentais e de outros povos.

Esta perspectiva inscreve-se numa reflexão mais ampla sobre a identidade nacional, a crioulidade e o lugar de Cabo Verde no espaço africano, questões que têm marcado a intervenção literária, ensaística e cívica do autor.

José Luís Hopffer Almada atribui particular importância ao pensamento de Amílcar Cabral, que considera uma referência para compreender a história, a cultura e os processos de afirmação dos povos de Cabo Verde e da Guiné-Bissau.

O escritor relaciona igualmente a questão identitária com a valorização da língua cabo-verdiana, defendendo o reconhecimento do seu papel na expressão da experiência histórica e cultural do povo cabo-verdiano.

Nascido a 09 de Dezembro de 1960, em Quelém/Pombal, no concelho de Santa Catarina, ilha de Santiago, José Luís Hopffer Almada é escritor e ensaísta, tendo participado na fundação do Movimento Pró-Cultura, em 1986, e da Associação dos Escritores Cabo-Verdianos, em 1989.

JMV/CP

Inforpress/Fim

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