
Cidade da Praia, 03 Ago (Inforpress) - O ambientalista da ADAD Daniel Xavier da Luz alertou hoje para a necessidade urgente de reforçar a limpeza e manutenção dos perímetros florestais do país, prevenindo incêndios numa altura de preparação das terras agrícolas.
Em entrevista à Inforpress, o representante da Associação para a Defesa do Ambiente e Desenvolvimento (ADAD) sublinhou que áreas como Serra Malagueta, Monte Gordo, Pico da Antónia e o Planalto Leste apresentam sinais evidentes de degradação.
A preocupação surge num período em que agricultores de vários concelhos rurais intensificam a prática de queimadas para a agricultura de sequeiro, aumentando significativamente os riscos de propagação do fogo para as zonas florestais contíguas.
“É um tesouro que temos de preservar. Se percorrermos todos esses perímetros florestais, verificamos que a manutenção continua a ser um desafio. Perante qualquer situação de risco, como um incêndio, sobretudo quando as parcelas agrícolas estão próximas dessas áreas, será muito difícil controlar a propagação do fogo”, advertiu.
Segundo Daniel Xavier, é fundamental que as instituições do Estado responsáveis pela gestão dos perímetros florestais adoptem medidas permanentes de conservação e limpeza, de forma a garantir melhores condições de protecção destas áreas.
Diante do aumento global das temperaturas e do impacto das alterações climáticas, o ambientalista apelou a uma actuação coordenada e permanente entre o Ministério da Agricultura e Ambiente, as câmaras municipais, a Polícia Nacional, a comunicação social e a sociedade civil na implementação de acções preventivas.
O responsável lembrou que o coberto florestal do arquipélago resultou de décadas de esforço e investimento, alertando para as severas limitações do país no combate a fogos em zonas montanhosas e de difícil acesso.
“Construir estes perímetros levou muitos anos. Hoje continuamos a ter limitações em meios de combate aos incêndios e os acessos são extremamente difíceis. Qualquer incêndio em áreas montanhosas como estas poderá destruir um património ambiental cuja recuperação demoraria muitos anos. Este é o momento de unir esforços”, concluiu.
DG/CP
Inforpress/Fim
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