
Mindelo, 11 Ago (Inforpress) – A ilha de São Vicente foi atingida há precisamente um ano, a 11 de Agosto de 2025, pela tempestade Erin, que em cerca de cinco horas de chuvas torrenciais provocou cheias e inundações.
Para trás ficaram nove mortos, dois desaparecidos, cerca de 1.500 desalojados e mais de 3.000 pessoas afectadas.
A passagem da tempestade, durante a madrugada, provocou a queda de 193 milímetros de chuva em apenas cinco horas, volume superior à média anual de precipitação registada na ilha, estimada em 116 milímetros.
As águas invadiram bairros, habitações, estabelecimentos comerciais e vias públicas, arrastaram viaturas e animais e provocaram deslizamentos de terras, desabamentos de muros e destruição de estradas e outras infra-estruturas.
O fenómeno afectou igualmente o fornecimento de água e electricidade e provocou danos em equipamentos e meios de subsistência de famílias e empresas.
O sector das pescas foi particularmente afectado, com 833 pescadores e peixeiras a registarem perdas de pescado, arcas frigoríficas, malas térmicas, motores, botes e outros equipamentos.
No comércio, vários estabelecimentos ficaram inundados e registaram perdas de mercadorias.
Na Praça Estrela, comerciantes contabilizaram milhões de escudos em prejuízos, depois de água e a lama terem invadido as barracas.
A tempestade atingiu também Santo Antão e São Nicolau, mas São Vicente registou os impactos mais graves.
Face à dimensão da tragédia, o Governo declarou o estado de calamidade, enquanto foram mobilizados meios nacionais e internacionais para apoiar as populações afectadas e a recuperação das infra-estruturas.
Um ano depois, a passagem da Erin permanece como um dos acontecimentos que mais marcou São Vicente em 2025, tanto pelas nove vidas perdidas e pelos desaparecimentos, como pelos danos provocados nas habitações, estradas, equipamentos, actividades económicas e serviços essenciais.
A tragédia levou ainda à criação de medidas de apoio às famílias e empresas afectadas.
O Banco de Cabo Verde criou um Programa de Assistência de Emergência, com uma linha de financiamento que podia atingir 10 mil milhões de escudos, destinada a apoiar a recuperação das entidades atingidas pela tempestade.
Em Abril de 2026, o Governo aprovou ainda um diploma que instituiu, a título excepcional, o direito à pensão de sobrevivência para os herdeiros das nove vítimas mortais da tempestade Erin.
CD/AA
Inforpress/Fim
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