OMS preocupada com nova ofensiva de Donald Trump contra as vacinas

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OMS preocupada com nova ofensiva de Donald Trump contra as vacinas
12/08/26 - 02:04 pm

Genebra, Suíça, 12 Ago (Inforpress) - A Organização Mundial da Saúde (OMS) manifestou hoje preocupação com as novas recomendações sobre vacinação anunciadas esta semana pelo Presidente dos Estados Unidos, considerando que não se baseiam nos dados científicos disponíveis.

“A política em matéria de vacinação deve basear-se numa análise rigorosa, independente e transparente dos melhores dados científicos disponíveis, e não em influências políticas”, advertiu o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, nas redes sociais.

Donald Trump assinou na segunda-feira um decreto com novas recomendações em matéria de vacinas, apelando para que se espaçasse a administração às crianças, e referiu-se repetidamente ao autismo ao apresentar o texto.

“A OMS está preocupada com as recentes alterações introduzidas na política de vacinação nos Estados Unidos não estarem em consonância com os dados científicos comprovados acumulados ao longo de décadas”, afirmou Tedros.

Esses dados “indicam os períodos em que as crianças estão mais vulneráveis às doenças, os momentos em que as vacinas oferecem a melhor proteção, o número de doses necessárias, bem como as vacinas que podem ser administradas simultaneamente com toda a segurança”, destacou, sublinhando que as vacinas são objeto de uma análise contínua à medida que novas informações são recolhidas em todo o mundo.

“As evidências atuais são inequívocas: as vacinas, incluindo a VASPR [sarampo, papeira e rubéola], são seguras e não causam autismo”, afirmou, tendo a OMS já sublinhado em várias ocasiões a ausência de ligação entre a vacinação e este distúrbio do desenvolvimento neurológico.

O diretor-geral da OMS alertou também para que “adiar a vacinação ou espaçar desnecessariamente as doses não torna a vacinação mais segura e pode deixar as crianças desprotegidas”.

A investigação médica nunca estabeleceu ligações entre o autismo e as vacinas, mas tanto o Presidente dos EUA como o secretário da Saúde norte-americano, Robert F. Kennedy Jr., continuam a sugerir que pode existir uma.

Conhecido pelas posições antivacinas, Robert Kennedy Jr. iniciou, desde que foi nomeado para aquele cargo, uma ampla revisão das vacinas, algumas das quais utilizadas há décadas, reformulou o calendário de vacinação pediátrica e cortou o financiamento para o desenvolvimento de novas vacinas, medidas todas veementemente condenadas pela comunidade médica e científica.

No início deste ano, a justiça norte-americana tinha suspendido a reformulação da política de vacinação dos EUA que Robert Kennedy Jr. tinha iniciado.

O decreto assinado na segunda-feira por Donald Trump recomenda, em particular, administrar separadamente as vacinas contra o sarampo, a rubéola e a papeira, em vez de as administrar numa única injeção.

Inforpress/Lusa

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