Cidade da Praia, 19 Out (Inforpress) – Artesãos na Feira Colectiva de Artesanato, no Plateau, defenderam hoje a criação de um espaço permanente para expor e comercializar os seus produtos, apontando a falta de condições e de apoio institucional como principais constrangimentos do sector.
A Inforpress ouviu artesãos que participam na iniciativa promovida em comemoração do Dia Nacional da Cultura, que decorre de 19 a 31 deste mês, na rua pedonal do Plateau, na cidade da Praia.
Os entrevistados pontuaram a necessidade de melhores condições para a exposição e comercialização dos produtos, bem como de maior valorização do artesanato cabo-verdiano.
Francisco Duarte, artesão há cerca de 18 anos, explicou que a falta de um espaço fixo para expor os seus trabalhos dificulta a comercialização das peças e a continuidade da actividade.
“Devia haver um espaço para colocar as peças e os produtos, mas a câmara municipal e o Governo ainda não disponibilizaram esse espaço”, afirmou, defendendo maior atenção das autoridades às necessidades dos profissionais do sector.
O artesão, que disse trabalhar diariamente na criação das suas peças, explicou que a paixão pelo artesanato tem sido a principal motivação para continuar na actividade, apesar das dificuldades enfrentadas, nomeadamente, a ausência de uma licença e de condições permanentes para expor e vender os produtos.
Duarte exortou, por isso, à criação de um espaço destinado aos artesãos, que lhes permita apresentar regularmente os seus trabalhos e assegurar melhores oportunidades de comercialização.
Por sua vez, Carlos de Carvalho, conhecido por Betinho, que se dedica à produção de bijutarias desde a década de 1990, apontou igualmente a falta de espaço adequado como um dos principais desafios enfrentados pelos artesãos.
Na sua perspectiva, a rua pedonal do Plateau reúne condições para acolher uma estrutura de exposição e venda que, além de beneficiar os profissionais, contribua para a valorização estética e cultural daquela zona da cidade.
O artesão manifestou também preocupação com as dificuldades de acesso dos clientes aos locais de venda, referindo a presença de vendedores que abordam as pessoas ao longo do percurso e que, segundo disse, acabam por dificultar a circulação e o acesso às bancas.
Apesar dos constrangimentos, o artesão vincou a importância da clientela nacional para a sustentabilidade da actividade, observando que os cabo-verdianos continuam a procurar os produtos artesanais, mesmo perante as dificuldades económicas.
A Feira Colectiva de Artesanato decorre sob o lema “Nôs Artesanatos, Nôs Grandeza”, reunindo profissionais do sector numa iniciativa que pretende assinalar o Dia Nacional da Cultura e dar visibilidade à produção artesanal.
Os testemunhos recolhidos pela Inforpress evidenciam a necessidade de medidas que favoreçam a promoção, a exposição e a comercialização do artesanato, considerado uma expressão da identidade cultural cabo-verdiana.
A Inforpress contactou a Câmara Municipal da Praia para reagir às reivindicações dos artesãos, tendo a instituição informado que se pronunciará oportunamente.
KA/HF
Inforpress/Fim
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