Cerca de 300 pessoas protestam em Lisboa contra visita de Rubio a Portugal

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Cerca de 300 pessoas protestam em Lisboa contra visita de Rubio a Portugal
08/10/26 - 08:00 am

Lisboa, 08 Out (Inforpress) - Cerca de 300 pessoas reuniram-se em Lisboa para protestar contra a visita do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, a Portugal, marcada para hoje.

A manifestação sob o mote "Não à presença de Marco Rubio em Portugal", que começou no Largo de São Domingos, em Lisboa, foi dinamizada pelo Conselho Português para a Paz e Cooperação (CPPC).

A acção de protesto também incidiu em outros apelos como o "Fim à guerra", o "Fim ao genocídio do povo palestiniano" e o "Fim à agressão a Cuba".

A presidente do Conselho Português para a Paz Cooperação, Isabel Camarinha, defendeu que a visita de Rubio será para garantir que Portugal “continua ajoelhado perante as imposições que os Estados Unidos (EUA), a NATO e a União Europeia” impõem ao país.

“É isso que nós estamos aqui a combater, estamos aqui a dizer que isso não pode continuar, que precisamos de garantir também a nossa soberania, a nossa independência nacional, cumprindo a nossa Constituição, que o que coloca é que, de facto, deve-se encontrar a resolução pacífica para os conflitos”, continuou Isabel Camarinha.

A dirigente denunciou ainda a intervenção militar dos EUA na Venezuela, que resultou na captura do ex-presidente Nicolás Maduro e as alegadas interferências nas eleições presidenciais brasileiras, cuja primeira volta decorreu no domingo passado.

“Esta é uma ação pública que pretende denunciar o papel que os Estados Unidos da América têm tido nesta escalada brutal da violência, da guerra, do confronto, da não resolução dos problemas através do diálogo e a agressão que é feita a muitos países no mundo”, afirmou Isabel Camarinha, destacando o “genocídio na Palestina” e o “bloqueio brutal agravado este ano em Cuba”.

Pessoas munidas com cartazes com a cara de Rubio acompanhados com frases como “Não é bem-vindo a Portugal”, “Paz no Mundo”, gritavam “Free Palestine” (“Palestina livre”, em português).

Muitas outras faziam esvoaçar bandeiras da Palestina e de Cuba.

Para José Manuel Franco, de 80 anos, a visita do secretário de Estado norte-americano cimenta a proximidade do Governo português com a política externa de Washington.

“Acho [que o Governo] está cada vez mais próximo e nós vemos a vassalagem que é prestada”, defendeu.

O octogenário, que se define como “favorável à paz” e “contra todas as guerras”, atribui aos Estados Unidos os eventos que fizeram eclodir as guerras por todo o Médio Oriente.

Pouco depois do início da manifestação, um grupo de cerca de dez pessoas com bandeiras de Israel e da antiga bandeira do Irão, utilizada antes da Revolução Islâmica de 1979, juntaram-se para colocar flores no Memorial às Vítimas do Massacre Judaico de 1506, em homenagem às vítimas dos ataques do Hamas que mataram cerca de 1.200 pessoas no sul de Israel.

Seguiram-se momentos de alguma tensão entre os diferentes manifestantes, com o pequeno grupo, que tinha papéis com imagens de vítimas do ataque de 07 de outubro de 2023, que faz hoje três anos, a entoar “Long live Israel” (“Longa vida a Israel”, em português).

Um grupo de pessoas afeta à manifestação contra a visita de Marco Rubio formou um pequeno cordão humano a separar os diferentes manifestantes, embora uma troca de insultos de parte a parte tenha desencadeado a ação de cerca de 25 agentes da Polícia de Segurança Pública (PSP) para separar os dois grupos.

“Nós estamos numa ação pela paz contra a guerra”, disse José Silva, que fazia parte desse cordão humano.

O eletricista de 65 anos acusou os manifestantes pró-Israel que se reuniram no largo após o início da ação contra a visita de Rubio, na qual participava, para provocar os presentes.

“Estes senhores vêm para aqui sem que de alguma forma a ação deles esteja salvaguardada” e “têm a autorização de provocar quem está pela paz e contra a guerra”, continuou.

“Esta é uma situação que de facto é insustentável”, prosseguiu.

Embora alguns membros da organização que dinamizou o evento, o Conselho Português para a Paz e Cooperação, já estivessem a discursar num palco, continuavam os gritos de ordem entre os diferentes grupos.

A manifestação terminou sem que se tivessem registado incidentes entre os grupos.

Marco Rubio visita quinta-feira Portugal para reunir-se com as autoridades portuguesas e "avançar na cooperação em matéria de defesa, economia e tecnologia", anunciou na semana passada o Departamento de Estado norte-americano.

Em Lisboa, o chefe da diplomacia norte-americana terá encontros com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, e com o seu homólogo, Paulo Rangel, estando prevista uma conferência de imprensa conjunta com o ministro dos Negócios Estrangeiros português.

Antes de chegar a Lisboa, Marco Rubio esteve na Islândia e na Grécia. Na capital grega, Atenas, milhares de pessoas saíram na terça-feira às ruas para contestar a presença do representante norte-americano no país.

Inforpress/Lusa

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