
Cidade da Praia, 08 Out (Inforpress) – A presidente da Organização das Mulheres de Cabo Verde (OMCV), Eloisa Gonçalves, afirmou hoje que o seu segundo mandato será marcado pelo reforço da estrutura interna da organização, pela mobilização de parceiros e pelo empoderamento económico das mulheres.
Em declarações à Inforpress, a presidente afirmou que para este novo período, a direcção pretende melhorar as infra-estruturas, actualizar a base de dados dos membros, aumentar o número de associados e reforçar a comunicação interna e externa.
A mobilização de novos parceiros e recursos constitui igualmente uma das prioridades para garantir a continuidade das acções da associação, sobretudo nas áreas da promoção da igualdade de género, combate à violência baseada no género (VBG) e empoderamento económico das mulheres.
“O empoderamento económico é uma grande arma para a própria luta contra a violência baseada no género”, afirmou, defendendo que a autonomia financeira contribui para que as mulheres tenham maior capacidade de participação na vida pública e de sustentar as suas famílias.
Ao fazer o balanço do primeiro mandato, a presidente da OMCV apontou o financiamento como um dos principais desafios, devido, segundo explicou, à redução dos fundos destinados às organizações da sociedade civil no contexto internacional.
“Obviamente os nossos desafios, infelizmente, temos que referir que pertencem à questões de financiamento. A própria conjuntura, a nível internacional, [o financiamento] tem faltado por uma diminuição de investimentos ou de fundos direccionados para as organizações de sociedade civil”, frisou.
Defendeu, por isso, maior disponibilidade de recursos por parte do Governo para estas organizações, sobretudo para responder a situações de emergência envolvendo mulheres vítimas de VBG, mulheres que vivem com HIV e mulheres com deficiência.
A dirigente destacou também a necessidade de dinamizar as delegações da OMCV nas diferentes ilhas e concelhos e de mobilizar mais jovens e voluntários para reforçar a intervenção da organização a nível nacional.
Sobre a VBG, Eloisa Gonçalves considerou que houve avanços na procura das instituições por parte das vítimas, mas defendeu que persistem desafios na justiça, na protecção das mulheres e no acompanhamento dos agressores.
Segundo a presidente da OMCV, a segurança das mulheres para denunciar está directamente ligada à resposta das instituições. A demora na resolução dos processos e a falta de protecção podem, no seu entender, contribuir para desencorajar novas denúncias.
A OMCV continuará, assim, a apostar no empoderamento económico das vítimas, através do apoio à criação de condições para que possam obter rendimentos e garantir o sustento das suas famílias, em articulação com outras instituições públicas, privadas e organizações da sociedade civil.
Eloisa Gonçalves, que esteve à frente da OMCV no período 2022-2026, iniciou em Setembro de 2026 o seu segundo mandato, que se prolonga até Setembro de 2030.
CG/ZS
Inforpress/Fim
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