
Cidade da Praia, 17 Jun (Inforpress) – O presidente do Conselho de Administração do Hospital Universitário Agostinho Neto, Evandro Monteiro, afirmou hoje que a instituição continua a aguardar o relatório oficial sobre a evolução clínica do menino Dário, reforçando a abertura ao diálogo institucional.
Questionado pelos jornalistas à margem da inauguração da extensão do Banco de Leite Humano e da remodelação do Serviço de Estomatologia, o responsável indicou que o hospital solicitou informações sobre o caso, mas que ainda não recebeu qualquer relatório ou comunicação formal.
“Nós pedimos informações, mas ainda não temos informações”, declarou.
Sem entrar em pormenores sobre o processo, Evandro Monteiro considerou que o assunto já foi amplamente debatido na esfera pública e defendeu que a sua análise deve decorrer com “serenidade e respeito” pelos direitos de todas as partes envolvidas.
O gestor hospitalar assegurou que o HUAN tem pautado a sua actuação pelo cumprimento dos princípios éticos e deontológicos que regem a actividade médica e reiterou o desejo de que a criança tenha acesso aos melhores cuidados possíveis.
“O que desejamos é que tudo decorra na normalidade desejada e que a ciência da saúde possa oferecer o melhor para o menino”, afirmou.
Segundo explicou, uma das principais preocupações da instituição tem sido o reforço da comunicação interinstitucional, admitindo, contudo, a existência de algumas dificuldades nesse processo.
“O que pedimos desde o início foi o reforço da comunicação interinstitucional. Temos demonstrado abertura nesse sentido”, referiu.
Evandro Monteiro ressaltou igualmente que o hospital tem procurado manter um relacionamento próximo com os familiares da criança, bem como com as diferentes entidades envolvidas no acompanhamento do caso.
O mesmo sublinhou que qualquer apreciação sobre os acontecimentos deverá ser feita em momento oportuno e nos espaços adequados, de forma serena e responsável, salvaguardando os direitos do utente, dos profissionais de saúde e das instituições envolvidas.
“Nós temos a obrigação de salvaguardar plenamente os direitos dos nossos utentes, dos profissionais e do Sistema Nacional de Saúde”, concluiu.
O caso continua a ser acompanhado de perto pela sociedade civil, que tem manifestado preocupação e exigido maior humanização no atendimento e mais transparência na comunicação entre os profissionais de saúde e as famílias, sobretudo, em situações clínicas complexas e de elevado impacto emocional.
Recorde-se que, após uma onda de solidariedade mobilizada nas redes sociais, Dário Tavares foi levado a Dakar, no Senegal, para uma segunda avaliação médica.
Depois de novos exames realizados numa clínica de Dakar, o menino foi submetido a uma intervenção cirúrgica no dia 30 de Março, que culminou na amputação do braço afectado.
Desde então, o caso tem alimentado um intenso debate público sobre o acesso aos cuidados de saúde, a comunicação médica e o acompanhamento prestado aos pacientes e seus familiares.
KA/HF
Inforpress/Fim
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