
Cidade da Praia, 24 Fev (Inforpress) – A coordenadora do serviço de Neurologia do HUAN, Albertina Lima, afirmou hoje que o país tem vindo a melhorar a nível de consultas de neuropediatria e no atendimento de crianças com patologias neurológicas diversas.
A especialista, que falava à imprensa sobre a 19ª missão de cooperação em neuropediatria entre Cabo Verde e Portugal, apontou alguns desafios a vencer, apesar de reconhecer ganhos com a criação do primeiro laboratório de electroencefalograma.
Explicou que a missão, que decorre no Hospital Universitário Dr. Agostinho Neto (HUAN) de 23 a 27 de Fevereiro, passa pelo atendimento de uma equipa multidisciplinar composta por profissionais de neuropediatria, consultas de epilepsia, de desenvolvimento, fonoaudiologia e avaliação de fisioterapia de mais de cem crianças com patologias neurológicas.
“É uma missão de extrema importância porque nós avaliamos as crianças aqui em Cabo Verde com especialistas na área. Até esta data, desde 2011, já conseguimos realizar mais de 3.500 avaliações de crianças com patologias neurológicas diversas”, destacou.
Realçou ainda “muitos ganhos” em termos da criação do primeiro laboratório de electroencefalograma, um exame “extremamente importante” para diagnóstico das epilepsias.
Albertina Lima pontou igualmente vários ganhos na formação da primeira neuropediatra, na redução da evacuação em mais de 50%, apesar dos desafios ainda a vencer e que tem a ver com a reabilitação e mais recursos humanos como fisioterapeutas nos centros de saúde, mais fonoaudiólogas e terapeutas ocupacionais.
“Com a cooperação, nós conseguimos ter o diagnóstico, orientar o tratamento, mas depois as crianças necessitarão fazer reabilitação. É aí que está, sem dúvida, o nosso principal desafio neste momento”, acrescentou, apontando também desafios na área do diagnóstico já que existem muitos problemas no acesso à ressonância, um exame considerado “fundamental”.
Por sua vez, a especialista em neuropediatria coordenadora da missão da Equipa de Cooperação Portugal Cabo Verde, Ana Isabel Dias, disse que 25% das doenças da pediatria são de foro neurológico.
“Habitualmente esta missão é composta por uma equipa interministerial composta por cinco elementos. Três médicas neuropediatras, uma enfermeira e uma fisioterapeuta”, sublinhou, explicando que esta missão acontece no âmbito do projecto Inclusão de Crianças e Jovens para Medicinas Neurológicas, patrocinado pelo Instituto Camões e pelo Instituto Val de Flor.
Para a médica portuguesa, a missão passa também por melhorias das condições de diagnóstico que passa pela disponibilidade de uma ressonância para diagnósticos neurológicos e pelos estudos genéticos, uma vez que os estudos genéticos são “fundamentais” no século XXI para diagnósticos, orientação e aconselhamento familiar.
“Nós temos insistido muito na formação, na autonomia dos profissionais de Cabo Verde e temos assistido a uma grande evolução nestes 15 anos, mas necessitamos de mais profissionais diferenciados nesta área”, disse.
A equipa neuropediatra colabora também no projecto de promoção de Segurança Infantil - Prevenção de Acidentes na Criança em Cabo Verde.
PC/ZS
Inforpress/Fim
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