
Cidade da Praia, 28 Jul (Inforpress) – Cabo Verde assumiu o compromisso de acelerar a eliminação das hepatites virais como problema de saúde pública até 2030, alinhando-se com as metas da OMS para reduzir em 90% os novos casos e em 65% a mortalidade.
A afirmação é da coordenadora nacional do Programa de Luta contra a Tuberculose e Lepra, Marta Freire, na abertura da mesa-redonda realizada hoje no Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP).
Na ocasião, a responsável realçou que a meta será cumprida através de uma estratégia integrada que une o rastreio obrigatório, o financiamento estatal de vacinas e a introdução de testes rápidos em grávidas.
“O país pretende quebrar as barreiras de acesso à saúde e erradicar uma das principais causas de doença e morte evitáveis no mundo. A nível nacional, são inegáveis os esforços feitos no sentido de cumprir os compromissos assumidos nesta matéria”, disse, asseverando que o rastreio das hepatites B e C é realizado em todas as dádivas de sangue.
Marta Freire avançou igualmente que a vacinação contra a hepatite B é realizada nas maternidades, onde 98,7% das mulheres cabo-verdianas optam por dar à luz, realçando que esforços importantes são feitos na mobilização de recursos financeiros para manter o programa de vacinação, sendo que o Estado de Cabo Verde financia todas as vacinas.
Face aos investimentos do Governo nesta doença, clarificou que, em 2025, o país implementou a realização obrigatória de testes rápidos de hepatite a todas as grávidas.
Acrescentou ainda que a eliminação da doença exige uma resposta transversal às directrizes do Plano Estratégico de Desenvolvimento Sustentável (PEDS II).
Os próximos passos estruturais de Cabo Verde focam-se, segundo a responsável, no reforço da liderança e na gestão de informação sanitária baseada em evidências, com a melhoria do acesso universal à prevenção, diagnóstico e tratamento de suporte.
O Instituto Nacional de Saúde Pública, representado pelo vogal do Conselho Directivo, Eric Frederico, sublinhou que a mesa-redonda promovida para debater os desafios das hepatites virais assinala o Dia Mundial da Hepatite Viral, celebrado a 28 de Julho, este ano sob o lema “Hepatites: vamos desvendá-las”.
Eric Frederico avançou ainda que, apesar de Cabo Verde registar uma baixa prevalência da doença, a população e as autoridades de saúde não podem baixar a guarda e daí decorre a necessidade de informar, sensibilizar e discutir as estratégias para enfrentar a patologia.
“A doença evolui sem sintomas iniciais evidentes e muitas pessoas evitam fazer o rastreio, o que origina consequências graves que evoluem para cirrose ou cancro do fígado”, alertou, lembrando que o diagnóstico precoce aumenta as hipóteses de cura e a eficácia do tratamento.
As hepatites virais dividem-se em cinco grupos principais (A, B, C, D e E), apresentando diferentes formas de contágio: as hepatites A e E são transmitidas pela falta de higiene, água ou alimentos contaminados; as hepatites B, C e D são transmitidas pelo sangue, fluidos corporais e relações sexuais desprotegidas.
Globalmente, a hepatite B afecta cerca de 100 milhões de pessoas, enquanto a hepatite C atinge de forma crónica cerca de 19 milhões de adultos.
O vírus da hepatite agrava a mortalidade em populações vulneráveis, afectando, no mundo, 2,3 milhões de pessoas infectadas com hepatite C e 2,6 milhões com hepatite B.
A nível de África, a região oeste-africana enfrenta uma alta endemicidade.
PC/HF
Inforpress/Fim
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