Cabo Verde alinha-se com OMS para eliminar hepatites virais até 2030

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Cabo Verde alinha-se com OMS para eliminar hepatites virais até 2030
28/07/26 - 02:26 pm

Cidade da Praia, 28 Jul (Inforpress) – Cabo Verde assumiu o compromisso de acelerar a eliminação das hepatites virais como problema de saúde pública até 2030, alinhando-se com as metas da OMS para reduzir em 90% os novos casos e em 65% a mortalidade.

A afirmação é da coordenadora nacional do Programa de Luta contra a Tuberculose e Lepra, Marta Freire, na abertura da mesa-redonda realizada hoje no Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP). 

Na ocasião, a responsável realçou que a meta será cumprida através de uma estratégia integrada que une o rastreio obrigatório, o financiamento estatal de vacinas e a introdução de testes rápidos em grávidas.

“O país pretende quebrar as barreiras de acesso à saúde e erradicar uma das principais causas de doença e morte evitáveis no mundo. A nível nacional, são inegáveis os esforços feitos no sentido de cumprir os compromissos assumidos nesta matéria”, disse, asseverando que o rastreio das hepatites B e C é realizado em todas as dádivas de sangue.

Marta Freire avançou igualmente que a vacinação contra a hepatite B é realizada nas maternidades, onde 98,7% das mulheres cabo-verdianas optam por dar à luz, realçando que esforços importantes são feitos na mobilização de recursos financeiros para manter o programa de vacinação, sendo que o Estado de Cabo Verde financia todas as vacinas.

Face aos investimentos do Governo nesta doença, clarificou que, em 2025, o país implementou a realização obrigatória de testes rápidos de hepatite a todas as grávidas. 

Acrescentou ainda que a eliminação da doença exige uma resposta transversal às directrizes do Plano Estratégico de Desenvolvimento Sustentável (PEDS II).

Os próximos passos estruturais de Cabo Verde focam-se, segundo a responsável, no reforço da liderança e na gestão de informação sanitária baseada em evidências, com a melhoria do acesso universal à prevenção, diagnóstico e tratamento de suporte.

O Instituto Nacional de Saúde Pública, representado pelo vogal do Conselho Directivo, Eric Frederico, sublinhou que a mesa-redonda promovida para debater os desafios das hepatites virais assinala o Dia Mundial da Hepatite Viral, celebrado a 28 de Julho, este ano sob o lema “Hepatites: vamos desvendá-las”.

Eric Frederico avançou ainda que, apesar de Cabo Verde registar uma baixa prevalência da doença, a população e as autoridades de saúde não podem baixar a guarda e daí decorre a necessidade de informar, sensibilizar e discutir as estratégias para enfrentar a patologia.

“A doença evolui sem sintomas iniciais evidentes e muitas pessoas evitam fazer o rastreio, o que origina consequências graves que evoluem para cirrose ou cancro do fígado”, alertou, lembrando que o diagnóstico precoce aumenta as hipóteses de cura e a eficácia do tratamento.

As hepatites virais dividem-se em cinco grupos principais (A, B, C, D e E), apresentando diferentes formas de contágio: as hepatites A e E são transmitidas pela falta de higiene, água ou alimentos contaminados; as hepatites B, C e D são transmitidas pelo sangue, fluidos corporais e relações sexuais desprotegidas.

Globalmente, a hepatite B afecta cerca de 100 milhões de pessoas, enquanto a hepatite C atinge de forma crónica cerca de 19 milhões de adultos. 

O vírus da hepatite agrava a mortalidade em populações vulneráveis, afectando, no mundo, 2,3 milhões de pessoas infectadas com hepatite C e 2,6 milhões com hepatite B. 

A nível de África, a região oeste-africana enfrenta uma alta endemicidade.

PC/HF

Inforpress/Fim

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