Brava: Escassez de cimento compromete construção civil e agrava dificuldades económicas, alerta empresário (c/áudio)

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Brava: Escassez de cimento compromete construção civil e agrava dificuldades económicas, alerta empresário (c/áudio)
17/07/26 - 01:50 pm

Nova Sintra, 17 Jul (Inforpress) – O responsável da empresa Demol & TEC manifestou hoje preocupação com a constante escassez de cimento na Brava, há mais de duas semanas, e está a afectar seriamente o funcionamento da empresa. 

António de Pina que falava à Inforpress, considerou que a situação é "desanimadora", tendo em conta que tanto a sua central de britagem como a empresa dependem directamente do cimento para desenvolverem as suas actividades.

Segundo o mesmo, a falta deste material está a impedir o avanço de vários empreendimentos e a comprometer o cumprimento de encomendas.

"Neste momento ninguém está a apanhar inertes e temos uma enorme quantidade de pedidos de blocos para fornecer aos clientes, mas não conseguimos responder porque a escassez de cimento impede a produção", afirmou.

O empresário defendeu que chegou o momento de o problema do transporte de mercadorias para a ilha Brava ser resolvido de forma definitiva, sublinhando que deposita esperança no novo Governo para encontrar uma solução para uma situação que, segundo disse, se arrasta há vários anos.

Caso contrário, advertiu, muitas pessoas poderão perder a motivação para permanecer na ilha devido à falta de emprego e de condições de desenvolvimento.

Pina salientou ainda que a construção civil desempenha um papel determinante na economia local, uma vez que envolve diversas profissões, como pedreiros, pintores, carpinteiros e outros trabalhadores, além de dinamizar o comércio local.

"Quando o dinheiro circula através da construção civil, os comerciantes sentem os efeitos positivos. Quando falta cimento, o impacto é exactamente o contrário", afirmou.

Segundo explicou, a própria empresa de britagem enfrenta grandes dificuldades, uma vez que não consegue comercializar os materiais produzidos devido à paralisação das obras provocada pela ausência de cimento.

Outro factor apontado pelo empresário prende-se com os elevados custos de transporte do cimento para a Brava. 

De acordo com António de Pina, existem marcas interessadas em fornecer o produto para a ilha, mas acabam por desistir quando tomam conhecimento dos custos logísticos.

Como exemplo, referiu que, enquanto na cidade da Praia um saco de cimento pode custar menos de 900 escudos, na ilha Brava o mesmo produto é comercializado por cerca de 1.500 escudos.

António de Pina defendeu igualmente uma reflexão profunda sobre as desigualdades existentes entre as ilhas consideradas periféricas e as ilhas centrais do país, considerando que estas assimetrias têm aumentado e comprometem a sustentabilidade das comunidades locais.

Na sua perspectiva, esta realidade contribui para o aumento do êxodo populacional para a capital, em busca de melhores oportunidades.

O responsável da Demol & TEC apelou ao Governo para repensar com urgência a situação da ilha Brava, defendendo medidas que incentivem a permanência da população e reforcem as condições de desenvolvimento económico.

"Estamos nesta ilha por amor, mas precisamos de condições para continuar. O custo de vida aumenta constantemente e é necessário criar mecanismos que encorajem quem continua a resistir", declarou.

Por fim, António de Pina reiterou a necessidade de um sistema de transporte marítimo mais eficiente, não apenas para passageiros, mas sobretudo para o transporte regular de mercadorias e materiais de construção.

Segundo afirmou, o actual Governo tem conhecimento das dificuldades que a ilha enfrenta neste domínio, razão pela qual lançou um apelo para que sejam encontradas soluções urgentes para os constrangimentos no transporte de carga e passageiros, situação que classificou como insustentável.

DM/HF

Inforpress/Fim 

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