
Cidade da Praia, 20 Out (Inforpress) – Cerca de 40 associações ligadas à pesca artesanal reuniram-se hoje para preparem a criação da Federação Nacional dos Pescadores e Organizações Ligadas à Pesca Artesanal, num encontro marcado para quarta-feira, 21.
Em declarações à Inforpress, o presidente da Associação dos Armadores de Pesca de Cabo Verde e promotor da iniciativa, Suzano Vicente, afirmou que a criação da federação corresponde a uma aspiração antiga dos pescadores, das comunidades piscatórias e das respectivas associações, com vista a reforçar a representação do sector.
O responsável, que falava durante o encontro presencial do Grupo de Trabalho Interinstitucional (GTI), promovido pela FAO, que decorre hoje, na Cidade Velha, recordou que o desafio de avançar com esta estrutura surgiu de um conjunto de associações reunidas na Boa Vista, no âmbito de uma iniciativa realizada há cerca de 12 anos e que foi aceite com o propósito de preparar a organização nacional do sector.
Segundo Suzano Vicente, a expectativa é que os contributos recolhidos durante os trabalhos preparatórios permitam, no encontro de quarta-feira, aprovar os estatutos e instalar o Conselho Directivo ou a Comissão Instaladora da federação.
A estrutura deverá também contar com um conselho técnico e consultivo, destinado a apoiar a capacitação da organização, a elaboração de projectos e o diálogo com instituições públicas, privadas e internacionais.
O presidente da Associação dos Armadores de Pesca esclareceu que a sua organização não integrará a federação, estando envolvida na preparação da iniciativa por entender que o sector precisa de uma estrutura representativa capaz de dialogar com as diferentes instituições e participar na discussão dos seus principais desafios.
“Precisamos de ter a pesca artesanal organizada para que, conjuntamente, possamos fazer frente a um conjunto de questões para defender o sector das pescas de forma integrada”, aludiu.
A criação da federação tem, igualmente, como propósito, contribuir para uma representação mais articulada das associações e comunidades ligadas à pesca artesanal, permitindo-lhes participar de forma conjunta na abordagem dos desafios do sector.
Questionado sobre a redução de 10 por cento (%) no preço do gasóleo para a pesca semi-industrial, adoptado pelo Governo, Vicente acolheu favoravelmente a medida, que classificou como uma reivindicação antiga da associação, mas defendeu soluções estruturais para o combustível utilizado na actividade.
O dirigente reconheceu que a redução poderá responder a necessidades pontuais dos armadores, tendo em conta as condições económicas e financeiras do país, mas sustentou que é necessário separar o combustível destinado à pesca daquele utilizado pela marinha de comércio e pelos transportes marítimos.
KF/HF
Inforpress/Fim
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