
Espargos, 24 Abr (Inforpress) – A escassez de brita e cimento na ilha do Sal, que se prolonga desde Novembro, está a paralisar obras e a gerar contestação no sector da construção civil, com construtores a denunciarem dificuldades no acesso a materiais essenciais.
Um grupo de utentes, composto por construtores e proprietários, manifestou à comunicação social a sua “profunda preocupação” com a situação, apontando dificuldades no acesso aos materiais essenciais para o andamento das obras.
Os denunciantes, representados pelo mestre de obras Vitorino da Graça e pela proprietária Carmen Silva, acusam a empresa CIMPOR de, alegadamente, privilegiar clientes que adquirem grandes quantidades através de plataformas digitais, em detrimento dos pequenos consumidores.
Segundo relataram, muitos construtores são obrigados a permanecer durante a noite à porta das instalações da empresa, na tentativa de conseguir pequenas quantidades de material indispensável à continuidade dos trabalhos.
Vitorino da Graça afirmou que a situação tem causado “frustração diária” e elevados prejuízos.
“Temos compromissos com cofragens, mão de obra e pagamentos bancários. Sem cimento e brita, estamos de mãos atadas”, referiu, acrescentando que há casos em que o produto existe, mas não está acessível a todos de forma equitativa.
Também Carmen Silva descreveu o cenário como “desesperante”, sublinhando as dificuldades em cumprir obrigações financeiras associadas às obras em curso.
“Estamos a pagar a cofragem e falta apenas a brita para fazer o betão. Há quase dois meses que não conseguimos material”, lamentou.
Contactada, a CIMPOR explicou, por e-mail, que a escassez de cimento se deve a “dificuldades na cadeia logística marítima internacional” nos últimos dois meses, que têm condicionado o abastecimento regular à ilha.
Quanto à brita e a outros agregados, a empresa apontou intervenções de manutenção em equipamentos da pedreira, o que reduziu temporariamente a capacidade de produção.
A CIMPOR garantiu, contudo, que está a trabalhar para estabilizar o fornecimento e assegurou que a situação deverá regressar à normalidade nas próximas semanas.
NA/JMV
Inforpress/Fim
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