Ilha do Sal: Escassez de brita e cimento paralisa construção civil e gera contestação

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Ilha do Sal: Escassez de brita e cimento paralisa construção civil e gera contestação
24/04/26 - 08:58 pm

Espargos, 24 Abr (Inforpress) – A escassez de brita e cimento na ilha do Sal, que se prolonga desde Novembro, está a paralisar obras e a gerar contestação no sector da construção civil, com construtores a denunciarem dificuldades no acesso a materiais essenciais.

Um grupo de utentes, composto por construtores e proprietários, manifestou à comunicação social a sua “profunda preocupação” com a situação, apontando dificuldades no acesso aos materiais essenciais para o andamento das obras.

Os denunciantes, representados pelo mestre de obras Vitorino da Graça e pela proprietária Carmen Silva, acusam a empresa CIMPOR de, alegadamente, privilegiar clientes que adquirem grandes quantidades através de plataformas digitais, em detrimento dos pequenos consumidores.

Segundo relataram, muitos construtores são obrigados a permanecer durante a noite à porta das instalações da empresa, na tentativa de conseguir pequenas quantidades de material indispensável à continuidade dos trabalhos.

Vitorino da Graça afirmou que a situação tem causado “frustração diária” e elevados prejuízos.

 

“Temos compromissos com cofragens, mão de obra e pagamentos bancários. Sem cimento e brita, estamos de mãos atadas”, referiu, acrescentando que há casos em que o produto existe, mas não está acessível a todos de forma equitativa.

Também Carmen Silva descreveu o cenário como “desesperante”, sublinhando as dificuldades em cumprir obrigações financeiras associadas às obras em curso.

“Estamos a pagar a cofragem e falta apenas a brita para fazer o betão. Há quase dois meses que não conseguimos material”, lamentou.

Contactada, a CIMPOR explicou, por e-mail, que a escassez de cimento se deve a “dificuldades na cadeia logística marítima internacional” nos últimos dois meses, que têm condicionado o abastecimento regular à ilha.

Quanto à brita e a outros agregados, a empresa apontou intervenções de manutenção em equipamentos da pedreira, o que reduziu temporariamente a capacidade de produção.

A CIMPOR garantiu, contudo, que está a trabalhar para estabilizar o fornecimento e assegurou que a situação deverá regressar à normalidade nas próximas semanas.

NA/JMV

Inforpress/Fim

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