
Lisboa, 26 Out (Inforpress) – O Movimento Pró-Cultura, fundado em 22 de Março de 1986, contribuiu para o surgimento de uma nova geração literária e cultural cabo-verdiana, afirmou o escritor e ensaísta José Luís Hopffer C. Almada.
“A fundação do Movimento Pró-Cultura espoletou o surgimento de uma nova geração literária e cultural cabo-verdiana”, declarou o autor, em entrevista à Inforpress, ao recordar o percurso da organização, que assinala 40 anos de existência em 2026.
Segundo José Luís Hopffer Almada, o movimento resultou do alargamento do Núcleo Pró-Cultura, fundado em Novembro ou Dezembro de 1985 por Kaká Barbosa, Nhelas Spencer, Fátima Brito Monteiro e pelo próprio escritor.
O Movimento Pró-Cultura foi formalmente fundado em 22 de Março de 1986, exactamente 50 anos depois da publicação do primeiro número da revista Claridade, por cerca de 30 poetas, contistas, artistas plásticos e gráficos, músicos e outros amantes da cultura.
Na estrutura inicial do núcleo, Kaká Barbosa e Nhelas Spencer ficaram encarregados da vertente literária, enquanto José Luís Hopffer Almada e Fátima Brito Monteiro assumiram a vertente artística. Esta última viria posteriormente a emigrar para os Estados Unidos da América.
Uma das primeiras iniciativas do movimento foi a publicação do suplemento cultural Voz di Letra, no jornal Voz di Povo, entre 1986 e 1987, que serviu de espaço para a divulgação de textos literários e reflexões sobre a cultura cabo-verdiana.
O movimento promoveu igualmente uma semana integrada de artes e lançou a revista Fragmentos, publicada entre 1987 e 1998, além de dinamizar o programa radiofónico Gentes, Ideias, Cultura.
A organização participou também no Simpósio Claridade, realizado em 1986, num período em que se intensificava o debate sobre a literatura, a identidade e o papel da cultura na sociedade cabo-verdiana.
Para José Luís Hopffer Almada, o Movimento Pró-Cultura representou uma experiência importante de intervenção cultural e de afirmação de uma geração que procurava novos caminhos para a criação artística e para a reflexão sobre a identidade nacional.
O percurso do escritor esteve igualmente ligado à criação da Associação dos Escritores Cabo-Verdianos (AEC), em 1989, e à participação em iniciativas relacionadas com a valorização da língua cabo-verdiana e a padronização da sua escrita.
JMV/CP
Inforpress/Fim
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