Victor Borges defende formação prévia para governantes e diz que boa governação não surge por “geração espontânea” (c/áudio)

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Victor Borges defende formação prévia para governantes e diz que boa governação não surge por “geração espontânea” (c/áudio)
28/07/26 - 11:31 pm

Cidade da Praia, 28 Jul (Inforpress) – O ex-governante Victor Borges defendeu hoje a criação de mecanismos de formação prévia para o exercício de cargos políticos e de alta responsabilidade na administração pública, considerando que a boa governação não resulta de “geração espontânea”.

Em declarações à Inforpress, à margem de uma entrevista sobre o seu percurso pessoal e político, o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros e da Educação afirmou que a vontade e a determinação, por si só, não garantem o sucesso na gestão do Estado.

Fomos todos mais ou menos improvisados como governantes”, afirmou, recordando uma reflexão feita quando exercia funções governativas, para ilustrar o que considera ser uma fragilidade estrutural da vida política nacional.

Actualmente dedicado à consultoria e à formação de jovens e quadros, através de iniciativas como as do Instituto Pedro Pires para a Liderança (IPP), Victor Borges defendeu que a preparação antecipada dos futuros governantes deve assumir um lugar central no debate público.

“Ninguém vai para a estrada conduzir um carro sem passar pela escola de condução ou exercer enfermagem sem a devida preparação. Apenas para ser governante ou exercer cargos públicos de grande responsabilidade parece não haver exigência”, afirmou.

Segundo o antigo governante, a gestão pública exige preparação específica, criticando a ausência de formação orientada para a governação nos currículos das instituições de ensino superior.

Embora reconheça o surgimento de alguns estudos académicos nesta área, considerou que Cabo Verde continua longe de assumir a formação de dirigentes públicos como uma prioridade.

Victor Borges sublinhou que esta reflexão constitui uma “provocação sem endereço partidário”, baseada na sua experiência governativa e numa análise crítica do funcionamento das instituições.

“A boa governação não nasce por acaso, constrói-se antecipadamente”, sustentou, defendendo que as vulnerabilidades do país e a crescente complexidade do contexto internacional exigem dirigentes preparados antes de assumirem funções.

“Não se trata de criar elites político-administrativas, mas sim de capacitar as pessoas para que, ao chegarem ao Governo, estejam preparadas. O exercício da governação não pode ser como mudar a roda de uma bicicleta em andamento”, acrescentou.

Ao analisar a evolução do Estado desde a independência, Victor Borges admitiu que a improvisação de dirigentes teve explicação nos primeiros anos do país e na transição democrática, mas considerou que esse contexto já não se justifica.

Criticou ainda os partidos políticos por privilegiarem estratégias eleitorais e a conquista do poder em detrimento da formação dos futuros líderes.

No final, apelou à sociedade civil e às forças políticas para encararem a formação contínua dos decisores como um investimento essencial para reforçar a qualidade da governação e a credibilidade da democracia.

SC/JMV

Infolrpress/fim

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