
Kinshasa, 07 Jun (Inforpress) – A República Democrática do Congo (RDCongo) elevou para 488 o número de casos confirmados na epidemia de Ébola, incluindo 86 mortos, alertando que “pode registar-se um aumento de casos se não forem implementadas medidas adequadas rapidamente”.
No seu último boletim sobre a doença divulgado esta noite, que corresponde aos dados recolhidos até sexta-feira, o Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP) assinalou que a província de Ituri continua a ser o epicentro, com mais de 94% dos casos (460).
O INSP alertou que parte dos casos registados começou a apresentar sintomas entre 14 e 23 de maio e um segundo grupo, entre 25 de maio e 03 de junho, o que indica, em primeiro lugar, um “provável surto comum” e, em seguida, “uma propagação da doença”, transformando-se numa epidemia.
De acordo com o boletim, 267 doentes estão “hospitalizados ou em isolamento” e o número de pessoas curadas subiu para nove (mais uma do que na última contagem), enquanto as zonas de saúde afetadas em três províncias congolesas se mantêm em 25.
Além disso, 67,2% dos contactos já puderam ser rastreados e a taxa de mortalidade situa-se em 17,6%.
O surto foi declarado a 15 de maio em Ituri, província fronteiriça com o Sudão do Sul e o Uganda, mas alastrou-se posteriormente às províncias congolesas de Kivu do Norte e Kivu do Sul, também situadas na região oriental.
A epidemia expandiu-se igualmente para o Uganda, onde foram detetados até agora 19 casos, incluindo 14 casos considerados importados da RDCongo, entre os quais se contam duas mortes.
A epidemia corresponde à estirpe de Bundibugyo, cuja taxa de mortalidade oscila entre 30% e 50% e para a qual não existe vacina autorizada nem tratamento específico, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), que considera “elevado” o risco de surto na África Subsariana e “baixo” à escala global.
A OMS acredita que o vírus começou a circular em Ituri cerca de dois meses antes da declaração inicial de surto, que classificou a 17 de maio como “emergência de saúde pública de importância internacional”.
O vírus Ébola transmite-se por contacto direto com fluidos corporais de pessoas ou animais infetados e causa febre hemorrágica grave, vómitos, diarreia e hemorragias internas.
Inforpress/Lusa/Fim
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