Mundial2026: Cabo Verde tem condições para passar grupo - Marco Soares

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Mundial2026: Cabo Verde tem condições para passar grupo - Marco Soares
07/06/26 - 01:32 pm

Redação, 07 Jun  (Inforpress) - Cabo Verde tem condições para ultrapassar a primeira fase do Mundial2026 de futebol na estreia em fases finais, acredita o ex-internacional e capitão Marco Soares, registando a mudança de mentalidade competitiva da seleção nos últimos anos.

“Cabo Verde tem de se apresentar como tem feito, com uma equipa bem organizada, personalizada e sem medo de jogar a partir de trás. Esse é o objetivo principal. Vai levar as suas cores ao Campeonato do Mundo pela primeira vez, sem expectativas altas, mas com capacidade e qualidade para aspirar a passagem”, afirmou à agência Lusa o antigo médio, de 41 anos e que fez 53 jogos e três golos nos ‘tubarões azuis’, de 2006 a 2021.

Cabo Verde defrontará a campeã europeia Espanha, o Uruguai e a Arábia Saudita no Grupo H do Campeonato do Mundo, cuja 23.ª edição se realiza de 11 de junho a 19 de julho e integra pela primeira vez 48 seleções, incluindo Portugal, num total de 104 jogos, sob inédita organização tripartida entre Estados Unidos, México e Canadá.

“Pode disputar o segundo lugar com o Uruguai, porque a Espanha vai ser sempre complicada e é uma das candidatas a conquistar a prova. Também pode passar como um dos melhores terceiros, o que seria um feito inédito. Quando Cabo Verde chegou pela primeira vez à Taça das Nações Africanas (CAN), passou à fase seguinte. Fazê-lo agora no Campeonato do Mundo seria fantástico, mas estar lá e representar dignamente o país já é um motivo de muito orgulho para os cabo-verdianos”, disse Marco Soares.

Os ‘tubarões azuis’ estreiam-se diante da Espanha, campeã do mundo em 2010, em 15 de junho, em Atlanta, antes de encontrarem o Uruguai, vencedor em 1930 e 1950, no dia 21, em Miami, e a Arábia Saudita, no dia 26, em Houston, numa competição que os dois primeiros classificados das 12 ‘poules’ e os oito melhores terceiros se apuram para os 16 avos de final.

“Começar frente à Espanha é super difícil e vai colocar à prova a boa organização defensiva de Cabo Verde. A expectativa de toda a gente é que a Espanha ganhe, pelo que tudo o que Cabo Verde conseguir nesse jogo é acréscimo. Se entrar com personalidade e sem medo, pode fazer uma boa estreia e mostrar o que é capaz de fazer no resto do Mundial2026”, vincou.

Cabo Verde vai tornar-se o 14.º país africano, e quarto lusófono, a competir no principal torneio internacional de seleções, entrando na história como o terceiro com menor população, atrás da Islândia, ausente nesta edição, e do também debutante Curaçau, e o segundo mais pequeno em área.

“Muita gente não conhecia Cabo Verde. Será bonito o grupo mostrar e as pessoas sentirem esta união que caracteriza a seleção. O apuramento é fruto do amor que os jogadores colocam pela bandeira. Por ser nos Estados Unidos, vamos ter bastantes cabo-verdianos a transmitir alegria e a nossa cultura nas bancadas. Vai ser fantástico a todos os níveis”, perspetivou Marco Soares, antigo treinador-adjunto do Paredes, da Liga 3.

Marco Soares lembra o “longo caminho” futebolístico percorrido por Cabo Verde, que, desde a independência de Portugal em 1975, demorou quase quatro décadas até à estreia na CAN e progrediu no ranking da FIFA do 182.º lugar em 2000 para o 27.º em 2014 - chega ao Mundial2026 em 67.º.

“Em 2014, estivemos perto do Mundial, mas, depois, retiraram-nos uma vitória na secretária [por utilização irregular de um jogador]. A semente foi plantada há imenso tempo e cultivada por outras gerações, que mostraram que era possível competir com os melhores de África e começaram a alimentar este sonho. Alcançar este Mundial foi todo um acreditar”, expôs.

O ex-médio de União de Leiria, Feirense ou Arouca, entre outros clubes portugueses, foi totalista na primeira e suplente não utilizado na terceira de quatro presenças na CAN dos insulares, que chegaram aos ‘quartos’ em 2013 e 2023 e aos ‘oitavos’ em 2021, ficando pela primeira fase em 2015.

Há 11 anos, Cabo Verde foi orientado pelo treinador luso Rui Águas, que teve duas passagens (2014-2015 e 2018-2019) e seria rendido na mais recente por Pedro Brito, apelidado de Bubista e distinguido em 2025 com o prémio de técnico do ano pela Confederação Africana de Futebol (CAF).

“O Bubista esteve como adjunto na nossa primeira presença na CAN e logo aí já teve um papel importante. É um bom conhecedor do futebol africano e esta presença no Mundial2026 tem muito mérito seu, pela confiança que passou aos jogadores de que era possível e de que tinham tudo a ganhar e nada a perder. Ele é ambicioso e não tem medo de nada. Conseguiu incutir o espírito de união e soube usar em momentos-chave os jogadores mais antigos, como Ryan Mendes, Vozinha, Garry Rodrigues e Stopira”, notou.

Inforpress/Lusa/Fim

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