Programa de Apoio à Reforma Educativa identifica 2.310 crianças fora do sistema educativo em Cabo Verde

Inicio | Sociedade
Programa de Apoio à Reforma Educativa identifica 2.310 crianças fora do sistema educativo em Cabo Verde
27/02/26 - 04:31 pm

Cidade da Praia, 27 Fev (Inforpress) – A gestora do Programa de Apoio à Reforma Educativa Prioritária de Cabo Verde (PAREP-CV) revelou hoje que 2.310 crianças, entre 03 e 18 anos, estavam fora do sistema educativo em Novembro e Dezembro de 2025.

Estes dados foram revelados por Maria de Lurdes Pereira durante uma apresentação do PAREP-CV sobre o mapeamento das crianças fora do sistema educativo, num encontro com associações e instituições que trabalham na protecção dos direitos das crianças fora da educação pré-escolar (EPE) e na sensibilização das famílias para os benefícios da EPE.

O estudo teve por base dados do Cadastro Social Único, fornecidos pelo Ministério da Família, e contou com 84 técnicos no terreno, maioritariamente equipas multidisciplinares do Ministério da Educação.

Segundo os dados apresentados, a ilha de Santiago concentra entre 40 e 49 por cento (%) das crianças identificadas, com maior incidência no concelho da Praia, com 19%, seguido de São Vicente com 18%.

Ainda segundo a mesma fonte, segue o concelho de Santa Cruz com 8,6% e São Filipe com 6,9%.

“A maioria das crianças fora do sistema é do sexo masculino com 69% contra 33%do sexo feminino, sendo que 64% têm entre 15 e 18 anos”, acrescentou a gestora.

Relativamente a esta faixa etária 28% são meninas e 72% são rapazes, sendo que a ilha de São Vicente tem 274 e cidade da Praia com 232.

Ainda como mostram os resultados, no concelho da Praia foram identificadas 164 crianças fora do sistema educativo, dos 3 aos 18 anos. Destas, 62 são do sexo feminino e 101 do sexo masculino.

O levantamento revelou ainda que cerca de 450 crianças, num total de 19,5% estão fora do sistema e dessas crianças identificadas pelo menos uma ou mais apresentam necessidades educativas especiais.

“Destas crianças identificadas, 260 têm problemas cognitivos, 138 relacionadas com voz e fala, 136 motoras, 133 de linguagem, 121 físicas, 84 comportamentais, 59 visuais e 38 auditivas”, disse Maria de Lurdes.

Contudo, apesar de 58% terem diagnóstico médico, apenas 38% beneficiam de acompanhamento especializado, isto porque, principalmente nas ilhas mais remotas, as consultas de especialidade realizam-se, geralmente, uma vez por mês, não sendo possível atender todas as crianças inscritas.

Na conclusão do trabalho realizado durante este período, o que se pôde constatar, segundo a gestora, é que entre os principais factores associados às crianças que não frequentam um estabelecimento de ensino está a vulnerabilidade socioeconómica, a precariedade em relação às condições das famílias, questões financeiras e o trabalho infantil.

JBR/HF

Inforpress/Fim

Partilhar