Vítor Borges defende estratégia conjunta para Pequenos Estados Insulares

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  Vítor Borges defende estratégia conjunta para Pequenos Estados Insulares
04/03/26 - 09:57 pm

Cidade da Praia, 04 de março (Inforpress) – O conferencista Vítor Borges defendeu hoje que os Pequenos Estados Insulares devem refletir em conjunto para elaborar estratégias que garantam a sua sobrevivência, protegendo a paz social, a estabilidade e o desenvolvimento, num mundo cada vez mais imprevisível.

Esta posição foi apresentada durante a conferência “Turbulência Geo-Política Atual e Desafios para os Pequenos Estados Insulares”, promovida pela Universidade Sénior de Cabo Verde (Uni-Sénior), no âmbito das actividades comemorativas do seu quarto aniversário.

Segundo o antigo ministro dos Negócios Estrangeiros, de um dos governos do PAICV, princípios outrora considerados adquiridos, como o respeito pela Carta das Nações Unidas e pela legalidade internacional, deixaram de oferecer garantias, tornando o mundo “mais difícil, mais complexo e imprevisível”.

 

“E isto cria turbulências e, digamos, que o mundo ficou muito mais difícil, muito mais complicado e muito mais imprevisível. As coisas vão acontecendo a uma velocidade supersónica, sem que tenhamos tempo para compreender verdadeiramente o que está a acontecer”, sublinhou.

Vítor Borges salientou que os Pequenos Estados Insulares tinham no direito internacional e na solidariedade entre países aliados naturais, mas lamentou que tudo isto esteja a desaparecer.

Neste contexto, defendeu a necessidade de uma reflexão conjunta envolvendo o governo, os partidos políticos, a academia e a sociedade civil, com vista a elaborar uma posição que garanta a sobrevivência e permita aos Pequenos Estados Insulares salvaguardar o que lhes é mais importante.

“E o que lhes é mais importante é a paz social, a estabilidade, o desenvolvimento e o aprimoramento permanente do processo democrático”, afirmou, alertando que a agenda dos Pequenos Estados Insulares não é convergente com a agenda das superpotências, que, conforme acrescentou, estão interessadas em projetar poder.

O conferencista alertou ainda para a importância do planeamento político e da análise prospetiva da evolução do contexto internacional, sugerindo a identificação de cenários e a preparação antecipada de respostas estratégicas.

 

Relativamente às declarações que apontam para uma eventual preparação de Cabo Verde para enfrentar os efeitos da actual conjuntura global, preferiu interpretá-las como uma mensagem de tranquilização.

“Mesmo os países desenvolvidos não estarão preparados para esta nova situação, aumento do preço dos combustíveis, etc. E sobretudo nós, que vivemos numa dependência alimentar total, acho que preparação significa planeamento também”, disse.

No que se refere a África, frisou que o novo momento geopolítico se caracteriza também pela procura desenfreada de recursos naturais, afirmando que o desafio passa por reforçar o domínio científico, técnico e comercial desses recursos, sob pena de o continente continuar a desempenhar o papel histórico de fornecedor de matérias-primas.

ET/JMV

Inforpress/Fim

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