Presidente da Cnest reconhece que Carta de Dados Inclusivos trouxe alguns desafios ao país

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Presidente da Cnest reconhece que Carta de Dados Inclusivos trouxe alguns desafios ao país
18/03/24 - 02:52 pm

Cidade da Praia, 18 Mar (Inforpress) –  O presidente da Comissão Nacional de Estatística (Cnest), reconheceu hoje que a Carta de Dados Inclusivos trouxe desafios ao país, mas mostrou-se convicto de que será encontrada uma solução saudável para que todos sejam incluídos nos dados.

Carlos Mendes falava à imprensa à margem da conferência nacional sobre “a iniciativa global desbloqueando o poder de dados e a carta de dados inclusivos” que acontece na Praia, nos dias 18 e 19 deste mês, iniciativa da Conselho Nacional de Estatística (Cnest), em parceria com a delegação da GPSDD, de Nova York.

Segundo disse, Cabo Verde assinou a Carta de Dados Inclusivos e assumiu plenamente todos os cinco princípios. O primeiro diz que todas as populações devem ser incluídas nos dados, o segundo aponta que todos os dados devem, sempre que possível, ser desagregados e o terceiro afirma que os dados devem ser extraídos de todas as fontes disponíveis.

O quarto princípio diz que os responsáveis pela recolha de dados e produção de estatísticas devem ser responsabilizados e o quinto sublinha que a capacidade humana e técnica рaгa recolher, analisar e utilizar dados desagregados devem ser reforçadas através do financiamento adequado e sustentável em ecossistema os dados.

Explicou que as cinco dimensões essenciais da Agenda 2030, nomeadamente o sexo, idade, região parte urbana ou rural, o estatuto de “handicap”, que é em termos de eficiência ou não, e o estatuto de migratório têm de estar sempre presentes na desagregação dos dados.

Carlos Mendes avançou que o desafio que se coloca ao Sistema Estatístico Nacional, particularmente ao Instituto Nacional de Estatística, tem a ver exactamente com este aspecto, porque sempre que se desagregam os dados a esses níveis, o sistema estatístico também esbarra ou encontra a dificuldade que tem a ver com a protecção dos dados.

Entretanto reconheceu que é necessário desagregar esses dados, para que as políticas públicas sejam focalizadas, mas sublinhou que a própria lei do Sistema Estatístico Nacional e também da Comissão Nacional de Protecção de Dados têm prerrogativas e artigos que não permitem que os dados sejam, de uma certa forma, desagregados.

Outro desafio, apontou, é como é que esses princípios vão ser integrados nas acções da própria Estratégia Nacional de Desenvolvimento de Estatística, em termos de produção dos dados.

“Internamente, e com o apoio e a colaboração de todos os interessados, os actores do ecossistema dos dados, vamos encontrar uma solução saudável, compartilhada em que todos se revejam para que os dados possam ser inclusivos nesse sentido”, referiu.

Neste sentido, realçou que a conferência vai juntar todos os actores importantes do ecossistema de dados nacionais, para juntos pensarem como é que o país vai juntar esforços, aumentar o seu comprometimento com as iniciativas globais das Nações Unidas, neste caso, o poder de dados e também com a Carta de Dados Inclusivos.

O encontro servirá também para traçar estratégias e linhas gerais do plano de acção, que vai permitir ao país tirar cada vez mais partido dos dados e incluir nas suas acções concretas, em termos de políticas públicas, os cinco princípios da Carta de Dados Inclusivas.

O encontro contou com a presença e intervenção da coordenadora residente do Sistema das Nações Unidas em Cabo Verde, Patrícia Portela Souza, e do director da GPSDD, Davis Adieno.

A cerimónia de abertura foi presidida pela secretária de Estado do Fomento Empresarial, Adalgisa Vaz, que assegurou que o Governo está ciente de que a adopção de uma cultura de dados inclusiva exige mais recursos humanos, financeiros e tecnólogos, recursos esses que deverá suportar para garantir que ninguém fique para trás.

AV/HF

Inforpress/Fim

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