
Nações Unidas, 01 Mai (Inforpress) - A China, que preside este mês ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, anunciou hoje que organizará um debate de nível ministerial visando "defender a Carta da ONU", que será presidido pelo ministro dos Negócios Estrangeiros chinês.
O representante permanente da China junto das Nações Unidas (ONU), Fu Cong, apresentou hoje à imprensa a agenda mensal de Pequim, indicando que o ministro Wang Yi presidirá ao debate de alto nível subordinado ao tema "Defender os Propósitos e Princípios da Carta da ONU e Fortalecer o Sistema Internacional Centrado na ONU", agendado para 26 de maio.
"Nos últimos anos, temos assistido a uma crescente turbulência no panorama internacional. Os conflitos estão a aumentar, as divisões estão a aprofundar-se e o sistema multilateral — juntamente com o direito internacional — está sob considerável restrição", afirmou o diplomata, em Nova Iorque.
"Tudo isto aconteceu não porque a ONU esteja desatualizada ou tenha falhado. Pelo contrário, isto acontece porque os propósitos e os princípios da Carta não são efetivamente respeitados e o sistema internacional centrado na ONU não é mantido com afinco", acrescentou Cong.
Nesse sentido, o embaixador defendeu que a comunidade internacional deve tomar medidas urgentes para defender a autoridade da Carta e reforçar o papel das Nações Unidas, a fim de evitar que o "mundo recaia na lei da selva" e "salvar as gerações futuras do flagelo da guerra".
A segunda prioridade da presidência rotativa chinesa será promover a solução política no Médio Oriente, região que classificou como o lugar do mundo "onde se desenrolam a maioria dos problemas críticos".
"O Conselho de Segurança deve instar as partes relevantes, em particular Israel, a observarem integralmente o acordo de cessar-fogo em Gaza, a garantirem o acesso humanitário, a interromperem as atividades de colonato e a trabalharem para revitalizar a perspetiva da solução de dois Estados", instou Fu Cong.
Ainda sobre Gaza, o diplomata afirmou que a "negação dos legítimos direitos nacionais do povo palestiniano é a maior injustiça dos nossos tempos".
Em relação ao Líbano, o diplomata notou que a situação continua muito instável e frágil, frisando que os ataques contra civis libaneses e contra as forças de manutenção da paz da ONU "são inaceitáveis".
O Conselho de Segurança deve enviar uma mensagem clara de apoio à soberania, segurança e integridade territorial do Líbano, apelou o representante de Pequim, defendendo ainda apoio ao Governo libanês na estabilização da situação interna e na garantia da paz.
Questionado sobre o papel da China nas negociações de cessar-fogo entre Washington e Teerão e sobre o que Pequim está disposto a fazer para reabrir o Estreito de Ormuz, Cong optou por sublinhar que a causa principal da situação atual é a "guerra ilegítima dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão".
"Francamente, estamos muito preocupados com algumas das declarações que temos ouvido recentemente sobre este cessar-fogo ser temporário, sobre a necessidade de iniciar outra ronda de ataques. Penso que a comunidade internacional deve mobilizar-se e elevar a voz contra o retomar dos combates naquela parte do mundo", declarou.
"Sobre o papel da China, temos defendido a paz e estamos a falar com todos os lados. O nosso ministro dos Negócios Estrangeiros tem estado ao telefone quase constantemente e também apoiamos totalmente os esforços do Paquistão de mediação entre as partes. Esperamos que estes esforços possam trazer resultados positivos", adicionou.
Sobre a situação no Estreito de Ormuz, Fu Cong disse estar certo de que, se esse bloqueio ainda se mantiver quando o Presidente norte-americano, Donald Trump, visitar a China nos dias 14 e 15 de maio, essa questão estará entre os principais temas da agenda das conversações bilaterais.
A terceira prioridade apontada por Cong para este mês diz respeito à estabilidade e ao desenvolvimento dos países africanos, garantindo que Pequim apoiará os esforços para "resolver as questões africanas de forma africana".
Este mês, o Conselho de Segurança vai também realizar o seu debate anual sobre a proteção de civis em conflitos armados.
Lusa/Fim
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