
Mindelo, 02 Nov (Inforpress) – O presidente da Associação Artística e Cultural Mindelact, Yannick Fortes, denunciou a falta de políticas públicas e de condições para o teatro em Cabo Verde, pois, após 32 anos, os mesmos problemas continuam por resolver no sector.
Em declarações hoje à Inforpress, após a abertura da 32.ª edição do Festival Internacional de Teatro do Mindelo (Mindelact), Yannick Fortes considerou “vergonhosa e desrespeitosa” a situação enfrentada pela organização, pelos artistas e pelo público, apontando a falta de financiamento, de salas de espectáculos adequadas e de apoio das instituições públicas.
Segundo este responsável, ao longo de mais de três décadas, a Associação Mindelact tem insistido nas mesmas reivindicações, sem que sejam encontradas soluções estruturais para garantir a continuidade e o desenvolvimento das actividades teatrais.
Yanick Fortes explicou que a presente edição reúne mais de 40 espectáculos de oito países, envolvendo artistas nacionais e internacionais, mas que a organização continua sem condições mínimas para acolher e apresentar as produções.
“É uma vergonha fazer um festival desta dimensão, com esta qualidade de artistas, sem sequer ter um auditório para apresentar os espectáculos”, lamentou.
Para Yanick Fortes, a situação torna-se ainda mais preocupante perante o esforço financeiro e humano feito pela organização para trazer companhias internacionais de reconhecido mérito, algumas das quais disponibilizam os seus espectáculos praticamente sem custos para o público cabo-verdiano.
Denunciou igualmente a falta de acesso e de condições de utilização de espaços municipais como a Academia Jotamont, que poderiam ser aproveitados para actividades culturais, nomeadamente para ensaios, residências artísticas e apresentações.
Neste sentido, defendeu que a Câmara Municipal de São Vicente disponibilize esses espaços à associação, que se propõe dinamizá-los através de uma programação cultural regular, abrangendo teatro, música e dança, sem encargos significativos para a autarquia.
“Todos querem estar ligados ao Mindelact, todos querem ver o trabalho que fazemos, mas depois não temos condições para receber essas pessoas”, afirmou, considerando contraditório o reconhecimento internacional do festival perante a falta de condições existentes em São Vicente.
O presidente da associação defendeu que o Estado deve assumir um papel mais activo no financiamento da cultura, sublinhando que, mesmo em países onde os teatros conseguem gerar receitas de bilheteira, existem apoios públicos que permitem a continuidade das estruturas e das actividades.
O responsável criticou ainda a ausência de representantes do Governo e da autarquia na abertura da 32.ª edição do festival, questionando a falta de presença do ministro da Cultura e do presidente da Câmara Municipal de São Vicente.
Quanto ao futuro, admitiu que a continuidade do festival nos moldes actuais terá de ser repensada, caso não sejam criadas condições para a sua realização, embora tenha sublinhado que a associação desenvolve projectos culturais durante todo o ano e não apenas no período do evento.
Segundo o presidente da Mindelact, o problema não é recente nem resulta apenas da actual conjuntura governativa, mas representa uma dificuldade estrutural que atravessa sucessivos governos e se mantém há mais de três décadas.
CD/AA
Inforpress/Fim
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