Presidenciais2026: Casimiro de Pina anuncia candidatura e defende reforço das instituições democráticas

Inicio | Política
Presidenciais2026: Casimiro de Pina anuncia candidatura e defende reforço das instituições democráticas
19/05/26 - 10:30 am

Cidade da Praia, 19 Mai (Inforpress) – O jurista Casimiro de Pina anunciou hoje a sua candidatura às eleições presidenciais de Novembro, defendendo o reforço das instituições democráticas e um apelo ao apoio de sectores políticos e cívicos.

“Sou, desde já, candidato a Presidente da República nas eleições de Novembro deste ano”, declarou Casimiro de Pina, em mensagem divulgada na sua página na rede social Facebook, sublinhando que Cabo Verde “precisa, neste momento, do contributo de todos”.

O jurista apelou ao apoio de “sectores moderados e lúcidos” do Movimento para a Democracia (MpD), da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID) e de outras forças políticas e movimentos cívicos que se identifiquem com a Constituição de 1992 e com o seu “ideal normativo de justiça e liberdade”.

Casimiro de Pina, que diz contar com “longos anos de estudos, reflexão e experiência”, afirmou “estar pronto para o desafio presidencial”, defendendo que “não há qualquer democracia sem democratas”.

“Em Novembro deste ano, com o vosso gentil apoio, poderemos virar a página e defender, como deve ser, as instituições da democracia constitucional”, afirmou, advertindo contra o que classificou como “tentação totalitária” e apelando ao “não” aos defensores da “democracia revolucionária”.

Na sua intervenção, o jurista deixou críticas ao MpD, partido ao qual já foi ligado, afirmando ter sido o primeiro a defender publicamente a responsabilização política do primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, pela “acentuada derrota autárquica” de Dezembro de 2024.

Sustentou que os sinais então identificados “não podiam ser ignorados” e que o momento exigia uma convenção alargada no seio do partido, com “várias listas concorrentes”, para definir o futuro do MpD.

Casimiro de Pina considerou que essa opção teria permitido uma “reflexão e (re)conexão com os valores da democracia constitucional”, defendendo que, caso tivesse sido seguida, o partido sairia “reforçado e mais unido”.

Acusou ainda a direção do MpD de ter optado por uma “estratégia de fuga em frente” e de ter procurado “silenciar e hostilizar vozes críticas”, em vez de promover um debate interno.

O jurista afirmou também que o partido se afastou dos princípios da Constituição e do Estado de direito democrático, passando, na sua perspetiva, a seguir uma “cartilha ideológica da democracia nacional revolucionária”.

Criticou igualmente decisões do executivo, nomeadamente as comemorações do centenário de Amílcar Cabral, alegando que terão sido organizadas “à revelia do parlamento”, apontando-as como exemplo de uma alegada concentração de poder.

Casimiro de Pina considerou ainda que o MpD “perdeu o seu ADN” e se tornou “politicamente irrelevante”, associando a elevada abstenção nas últimas eleições a essa evolução, que terá favorecido o regresso do PAICV ao poder.

Apesar disso, alertou para o risco de uma eventual concentração de poderes caso o Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) consolide a sua posição política.

Referindo-se às presidenciais de Novembro, o jurista evocou a sua participação no escrutínio de 2021, em que terminou em terceiro lugar entre sete candidatos, sublinhando a sua capacidade para o debate político.

O candidato concluiu que está em condições de “dar uma réstia de esperança” ao sistema político cabo-verdiano e de disputar a eleição presidencial contra o atual chefe de Estado, José Maria Neves, ou qualquer outro candidato.

JMV/AA

Inforpress/Fim

Partilhar