
Porto Novo, 04 Ago (Inforpress) – Agricultores no município do Porto Novo estão a conseguir produzir apesar da escassez da água para rega, a avaliar pela quantidade de produtos que chegam aos mercados provenientes dos diferentes vales.
A Inforpress constatou que, ao longo da semana, chegam ao mercado informal da cidade do Porto Novo inúmeras carrinhas de produtos diversos para abastecer o mercado em Santo Antão e para fora da ilha.
Outro facto que demonstra que os agricultores porto-novenses estão a produzir, apesar da seca, é a realização de inúmeras feiras agrícolas ao longo do ano.
No perímetro agrícola de Ponte Sul/Chã de Mato, a falta de água não impede que os agricultores produzam para o mercado, segundo o porta-voz, Augusto Fortes.
Os agricultores deste perímetro têm à sua disposição 100 toneladas de água por dia, mas o ideal seria, pelo menos, 150 metros cúbicos de água diariamente, para poderem irrigar todas as suas parcelas, adiantou Augusto Fortes.
Este agricultor disse que as 100 toneladas de água disponibilizada pelo furo local “está muito aquém” de satisfazer às necessidades dos agricultores, cujo número tem vindo a aumentar, passando ultimamente de 47 para 69, com o início da actividade dos jovens agricultores.
No outro perímetro agrícola, em Casa de Meio, os 47 jovens agricultores têm estado a produzir para o mercado mesmo enfrentando a crise de água.
O porta-voz Joaquim Lima avançou que os agricultores têm à sua disposição 90 toneladas de água diárias para a rega, quando necessitam de 150 toneladas.
Mesmo enfrentando a crise hídrica e o problema de pragas, esses jovens agricultores conseguem produzir para o mercado, segundo a mesma fonte, que clama, todavia, por mais água em Casa de Meio.
No perímetro de Morro Cavalo, as mais de quatro dezenas de agricultores irrigam as parcelas com 80 toneladas de água, mas o a quantidade desejável seria o dobro, estima o líder da associação dos lavradores, José Lima.
Não obstante, têm assegurado a produção de vários produtos que são colocados no mercado em Santo Antão.
Ribeira dos Bodes é outro vale onde a seca está também a ter impacto negativo no caudal dos sistemas de produção de água, segundo o porta-voz dos agricultores, Jailson Monteiro, informando que, mesmo diante da crise de água, essa localidade tem produzido produtos diversos.
A penúria de água é também muito sentida em Chã de Norte, onde os quase 60 agricultores, apesar da escassez de água, não têm deixado de produzir variedades de produtos.
Dinelson Lima, um dos agricultores, explicou que são 130 metros cúbicos de água por dia para irrigar toda as parcelas.
Mesmo diante da seca, que tem diminuído o caudal das nascentes e furos, Porto Novo se assume como sendo o maior produtor de horticultura no contexto da ilha de Santo Antão, segundo o Ministério da Agricultura, que destaca a aposta na massificação do sistema de rega gota a gota.
Porto Novo apresenta uma taxa de cobertura com rega gota à volta de 66 por cento (%), correspondente a 175 hectares de área de regadio cobertos com as novas tecnologias de irrigação.
Ou seja, dos 265 hectares de terrenos de regadio, 175 hectares estão cobertos com o sistema de rega gota a gota, segundo dados do Ministério da Agricultura.
Este município dispõe de duas dezenas de sistemas, que produzem perto de 2.500 metros cúbicos diários.
O MAA tem estado a anunciar a realização de um programa de prospecção de água subterrânea no município do Porto Novo, contemplando uma dezena de furos.
JM/AA
Inforpress/Fim
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