
Cidade da Praia, 07 Out (Inforpress) – A deputada da UCID Zilda Oliveira defendeu hoje, no parlamento, uma mudança estrutural nas políticas educativas do país, sustentando que a Educação deve ser uma prioridade do Estado e não apenas como uma questão de governos.
Na sua intervenção, Zilda Oliveira desejou um “bom ano lectivo” aos alunos, professores, pais e encarregados de educação e a toda a comunidade educativa, sublinhando que, num país onde o capital humano constitui o principal recurso, a Educação deve traduzir-se em decisões e medidas concretas.
“A Educação tem de ser uma prioridade nos actos e não apenas nos discursos”, afirmou a parlamentar, para quem o sector não pode continuar a ser orientado por “políticas conjunturais de Governo”.
A deputada defendeu, nesse sentido, uma visão estratégica de longo prazo, com políticas educativas projectadas para 30 ou até 50 anos, considerando este um dos principais desafios para o país.
Zilda Oliveira lembrou que Cabo Verde conta, actualmente, com cerca de 130 mil alunos distribuídos por aproximadamente 400 escolas, mas advertiu que o aumento do acesso à Educação não representa, por si só, garantia de qualidade.
“Permanecer na escola não significa aprender”, afirmou, apontando as dificuldades dos alunos nas áreas da leitura, escrita, matemática e ciências, bem como os níveis de insucesso, abandono escolar e desigualdades entre ilhas e concelhos.
Para a parlamentar, é necessário mudar o foco das políticas educativas, passando da preocupação exclusiva com o acesso para uma maior atenção aos resultados da aprendizagem.
A deputada considerou igualmente necessário definir de forma clara “o perfil de cidadão que queremos para o país”, tendo em conta as dimensões pessoal, social e profissional.
Dirigindo-se ao ministro responsável pela Educação, Zilda Oliveira defendeu que as políticas do sector devem ser construídas “de baixo para cima”, a partir da realidade das salas de aula e das necessidades dos professores e alunos e não apenas a partir dos gabinetes.
Entre as prioridades apontadas está a valorização dos cerca de oito mil professores, bem como o reforço da inclusão de crianças com necessidades educativas especiais.
A deputada defendeu ainda a presença de psicólogos clínicos nas escolas ou, pelo menos, nos agrupamentos escolares, como forma de reforçar o acompanhamento dos alunos.
No domínio da formação profissional, Zilda Oliveira propôs a construção de um ensino técnico mais articulado com o sector empresarial e com as necessidades específicas de cada ilha, de modo a aproximar a formação das oportunidades e exigências do mercado de trabalho.
Quanto ao ensino superior, a parlamentar saudou a gratuitidade das propinas, mas alertou que esta medida cobre apenas cerca de 30% das despesas dos estudantes.
Zilda Oliveira questionou, por isso, se a gratuitidade das propinas será acompanhada por outras medidas de acção social capazes de garantir não apenas o acesso, mas também a permanência e o sucesso académico dos estudantes em situação de maior vulnerabilidade.
DG/HF
Inforpress/Fim
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