
Cidade da Praia, 08 Jan (Inforpress) – As pescas, particularmente a semi-industrial, precisam de uma nova estratégia que valorize e dinamize o sector e a actividade privada no quadro do desenvolvimento nacional, considerou hoje, no parlamento, o deputado do PAICV (oposição) Julião Varela.
O porta-voz da bancada parlamentar do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) precisou que, “dez anos depois das promessas do Governo”, o país tem hoje “menos embarcações e menos pessoas envolvidas no sector das pescas”.
O eleito do maior partido da oposição criticou ainda uma “distribuição assimétrica” da distribuição dos recursos, assim como uma “grande carência” de infraestruturas de apoio ao exercício da atividade piscatória.
“Os nossos homens e mulheres ligados ao mar vem sendo negligenciados por este Governo, que não os protege e nem os ouve, apesar da forte dedicação e empenho para o desenvolvimento do sector”, sublinhou o PAICV, acrescentando que estas pessoas enfrentam riscos ao contribuírem, para a alimentação e segurança nutricional das famílias cabo-verdianas.
Para o PAICV, os pescadores continuam a trabalhar em condições “rudimentares, muito precárias e sem amparo do governo”.
“Há várias comunidades piscatórias sem porto de pesca ou arrastadores para o desembarque do pescado, sujeitando a condições difíceis de trabalho”, lamentou Julião Varela, acrescentando que há comunidades cujas embarcações ficam ao largo e são obrigadas a lançarem-se ao mar de madrugada ou à noite em condições perigosas para abandonarem ou acederem às suas embarcações.
O deputado lamentou ainda o facto de, na ilha de Santiago, não existir um único estaleiro para pequenas reparações de embarcações, o que segundo ele, impõe aos armadores “elevados custos”, mais de 300 contos, só para transporte, além dos encargos de reparação, com a transferência das mesmas para São Vicente.
“Há muitas comunidades piscatórias sem sistema de frio, o que tem levado os pescadores a venderem o seu pescado a baixo preço ou a lançá-lo ao mar, porque não têm como conservar o pescado capturado”, deplorou o porta-voz do grupo parlamentar do PAICV.
Nas comunidades onde existem sistemas de frios, acrescentou, os pescadores deparam-se com problemas no elevado custo de produção, porque o sistema funciona com recursos e energias convencionais.
Lembrou que o Governo havia prometido na presente legislatura introduzir energias renováveis nesses equipamentos e que até agora ainda não aconteceu.
LC/AA
Inforpress/Fim
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