
Cidade da Praia, 14 Mar (Inforpress) – A Associação dos Deficientes Visuais de Cabo Verde (Advic) recebeu hoje uma importante doação de bens alimentares e produtos de higiene da Associação Mohamed VI, filial da fundação marroquina.
O apoio, avaliado em cerca de 250 contos, surge num momento crucial para a Advic, que luta diariamente para garantir o sustento e a dignidade dos seus membros, muitos dos quais provenientes de famílias de baixo rendimento.
Para o presidente da Advic, Marciano Monteiro, o significado deste gesto ultrapassa o valor material. Marciano Monteiro considera a ajuda “de grande significado” e difícil de descrever em palavras, dado o impacto direto no bem-estar das pessoas cegas no arquipélago.
“Muitas vezes temos dificuldades em conseguir produtos básicos. Esta ajuda será distribuída de forma justa a quem realmente mais precisa”, afirmou.
A iniciativa, inserida nas celebrações do Ramadão, conforme José Oliveira, representante da Associação Mohamed VI em Cabo Verde, visa apoiar os membros da Advic e abrir portas para futuras parcerias internacionais.
“Esta ação faz parte das atividades de caridade habituais do mês do Ramadão”, disse.
A Fundação Mohamed VI, que atua em 48 países africanos, destinou cerca de 10 mil euros (aproximadamente 1.100 contos) para ações em Cabo Verde, tendo a Advic sido uma das instituições escolhidas devido ao trabalho meritório que desenvolve, acrescentou.
“O objetivo é reforçar este intercâmbio. Queríamos, inclusive, ter trazido o embaixador para que ele conhecesse a Advic de perto e pudesse, quem sabe, assinar um protocolo de cooperação direta com Marrocos”, destacou José Oliveira.
Apesar da gratidão pelas ajudas externas, Marciano Monteiro sublinhou que a Advic mantém o foco na sustentabilidade, revelando que a associação tem projectos em carteira para gerar rendimentos próprios, nomeadamente no setor imobiliário, combatendo a cultura do conformismo e a dependência exclusiva de subsídios governamentais.
Outra batalha central da organização é o cumprimento da lei que exige uma quota de 5% de reserva de postos de trabalho para pessoas com deficiência, o que, lamentou, não tem sido respeitado.
“Existe ainda um grande preconceito. As pessoas não entendem que um cego pode produzir e contribuir para o desenvolvimento do país”, afirmou, reforçando que a capacitação dos membros continua a ser a prioridade para quebrar barreiras no mercado de trabalho.
PC/JMV
Inforpress/Fim
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