
Metz, França, 28 Set (Inforpress) - O Papa pediu hoje “coragem nas negociações” e “disposição para sacrificar certas posições em prol do bem maior [que é] a paz” na Europa, durante um discurso realizado em Metz, França.
"Hoje, infelizmente, a guerra ressurgiu, incluindo na Europa: um novo "massacre sem sentido" que ceifa inúmeras vítimas civis todos os dias", afirmou Leão XIV, que está a terminar uma visita de quatro dias a França.
Embora não tenha mencionado diretamente a Ucrânia no seu discurso, Leão XIV exortou o continente europeu a "pôr fim à espiral" das "mentiras e enganos" nas relações internacionais, numa altura em que múltiplas tentativas de mediação e de pôr fim à guerra permanecem infrutíferas.
"É necessário envolver-se num diálogo paciente, demonstrar coragem nas negociações e estar preparado para sacrificar certas posições em prol do bem maior da paz", acrescentou num discurso dirigido aos líderes europeus.
"Hoje, as relações humanas e as relações entre os Estados estão a tornar-se cada vez mais bárbaras", declarou, em francês.
"O valor de uma promessa é desprezado. Em vez disso, as pessoas vangloriam-se de mentiras e enganos", referiu, elogiando o "direito internacional e o multilateralismo" como "o melhor antídoto para a vontade de dominar".
Citando os pais fundadores da Europa, incluindo o francês Robert Schuman (1886-1963) e o italiano Alcide De Gasperi (1881-1954), Leão XIV também defendeu a "implementação ativa" da paz.
"Devemos perguntar-nos se estamos realmente a fazer esforços criativos para promover a paz mundial ou se estamos simplesmente a tentar estancar a hemorragia da guerra e a preparar-nos melhor para aquelas que presumimos que ainda estão por vir", declarou.
Sobre a questão da migração, em que se alinha com a posição do seu antecessor argentino, o Papa Francisco, o líder de 1,4 mil milhões de católicos afirmou que a Europa está a enfrentar "uma nova etapa na sua longa história de encontros".
"Temos de compreender o significado histórico do que está a acontecer, ou seja, um encontro sem precedentes entre povos e culturas que exige uma redescoberta criativa das nossas raízes e, ao mesmo tempo, uma escuta atenta do outro", defendeu.
A Europa, considerou, deve "integrar" os migrantes "na sua própria família, oferecendo-lhes a oportunidade de desenvolverem os seus talentos, capacidades e sensibilidades", e estes devem "abraçar o espírito da casa que os acolhe".
O Papa participou, a convite do presidente francês, Emmanuel Macron, no congresso intitulado "As Raízes da Europa pela Paz e Unidade", em Metz, onde termina a sua visita ao país.
Inforpress/Lusa
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