
Assomada, 25 Jan (Inforpress) – A Comissão Política Regional (CPR) do PAICV em Santiago Norte pediu hoje investimentos públicos estruturantes e “uma intervenção ousada” do Estado para promover o desenvolvimento da região, posicionada “na cauda do desenvolvimento nacional”, apesar das reconhecidas potencialidades.
A posição foi expressa pela presidente da CPR, Carla Carvalho, no final de uma reunião destinada a analisar as orientações do partido para as eleições legislativas de 17 de Maio de 2026 e para balanço da conferência sobre o desenvolvimento de Santiago Norte, realizada a 17 de Janeiro, em São Jorge, no município de São Lourenço dos Órgãos.
A dirigente explicou que a conferência reuniu líderes comunitários, quadros do PAICV, dirigentes regionais e especialistas da região, com o objetivo de refletir sobre a situação atual de Santiago Norte e recolher contributos para a elaboração de propostas a integrar na Plataforma Eleitoral do partido para as próximas legislativas.
Segundo Carla Carvalho, Santiago Norte, composta por seis municípios, constitui uma das maiores regiões políticas e territoriais de Cabo Verde, sendo atualmente a segunda mais populosa, com importância histórica, cultural e económica determinante no processo de construção nacional.
Apesar disso, alertou que os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE) revelam “um cenário preocupante”, apontando para a perda de população em todos os municípios da região até 2040, enquanto as potencialidades nos sectores da agricultura, pecuária, pescas e turismo permanecem largamente por explorar.
A principal conclusão da conferência, consagrada na chamada Declaração de São Jorge, segundo a mesma fonte, é a necessidade de “uma maior ousadia” do Estado em Santiago Norte, através de investimentos directos e iniciativas empresariais nos sectores primários e no turismo, como forma de dinamizar a economia regional, criar empregos e promover a fixação das populações.
Entre as recomendações apresentadas pelo PAICV Santiago Norte constam a promoção de um desenvolvimento regional coordenado entre os municípios e o Governo central, a descentralização de estruturas do Estado para a região e a aposta na inovação tecnológica no setor primário.
A criação de um banco de fomento para atividades económicas ligadas à agricultura, pecuária e pescas, bem como a implementação de um programa ambicioso, visionário e pragmático para o desenvolvimento do turismo, são outras recomendações.
A dirigente regional criticou ainda a governação do MpD, acusando o partido no poder de ter “relegado Santiago Norte para segundo plano” ao longo dos últimos dez anos, adotando, segundo disse, uma atuação “marcada pelo eleitoralismo”.
Como exemplos, apontou a centralização do Cadastro Social Único pelo Ministério da Família, retirando-o da gestão das câmaras municipais, e a alegada distribuição seletiva de cestas básicas a pessoas ligadas ao MpD.
Carla Carvalho considerou que Cabo Verde é um país democrático, no qual todos os cidadãos devem beneficiar da atenção do Estado de forma contínua e não apenas em períodos eleitorais.
Sublinhou que o desenvolvimento sustentável exige investimentos estruturantes nos sectores que geram emprego, rendimento e autonomia económica das famílias.
Para o PAICV, concluiu, as eleições de 17 de Maio representam uma oportunidade para mudar o rumo da governação, permitindo a implementação de políticas públicas orientadas para “um Cabo Verde para todos e um Santiago Norte para todos”.
MC/AA
Inforpress/Fim
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