ONU: Primeiro-ministro estreia-se na Assembleia Geral a defender reforma do Conselho de Segurança e justiça climática

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ONU: Primeiro-ministro estreia-se na Assembleia Geral a defender reforma do Conselho de Segurança e justiça climática
26/09/26 - 04:11 pm

Cidade da Praia, 26 Set (Inforpress) - O primeiro-ministro, Francisco Carvalho, estreou-se hoje na Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em Nova Iorque, onde defendeu o reforço do multilateralismo, a justiça climática e uma maior representatividade de África nas instituições internacionais.

Na sua intervenção inaugural perante o plenário da ONU, o chefe do executivo apresentou Cabo Verde como uma nação consciente das suas vulnerabilidades insulares, mas firme na capacidade de resiliência e na afirmação da “morabeza” enquanto expressão de determinação e acolhimento do povo cabo-verdiano.

Ao abordar a conjuntura geopolítica global, o primeiro-ministro reiterou o compromisso do país com a Carta das Nações Unidas e o respeito escrupuloso pelo direito internacional.

“O direito internacional e o direito internacional humanitário não podem ser aplicados de forma selectiva”, advertiu Francisco Carvalho, defendendo que não há paz sustentável sem erradicação da pobreza e inclusão social.

Francisco Carvalho chamou igualmente a atenção para os desafios do terrorismo, do extremismo violento e da criminalidade, particularmente na região africana, defendendo que a paz exige prevenção, instituições fortes, cooperação e criação de oportunidades.

Para o chefe do governo cabo-verdiano, o investimento na juventude africana, através da educação e da criação de condições para uma vida digna, constitui também um investimento na paz.

Relativamente à governação global, urgiu a modernização da estrutura da ONU face à realidade geopolítica actual, apelando à reforma do Conselho de Segurança para assegurar uma representação equitativa do continente africano, alinhada com o Consenso de Ezulwini e a Declaração de Sirte.

No plano ambiental, Francisco Carvalho classificou as alterações climáticas como uma questão premente de justiça para os Pequenos Estados Insulares em Desenvolvimento (SIDS), sublinhando que os países que menos contribuem para a crise global não podem continuar a suportar os seus impactos mais severos.

Defendeu igualmente que a escolha do próximo secretário-geral da ONU deve respeitar princípios de transparência, inclusão, mérito e igualdade de oportunidades.

Francisco Carvalho destacou ainda as prioridades nacionais, colocando a educação no centro da estratégia de desenvolvimento. Entre outras áreas apontadas estão o reforço dos sistemas de educação e saúde, a transformação digital, a igualdade de género, a transição energética, a segurança hídrica e o desenvolvimento da economia azul.

“Desenvolvimento significa transformar conhecimento em oportunidade e oportunidade em dignidade”, declarou.

A crise climática ocupou igualmente uma parte importante da intervenção de Francisco Carvalho, que sublinhou que, para Cabo Verde e outros pequenos Estados insulares, as alterações climáticas constituem uma realidade presente, sobretudo os impactos associados às chuvas, desertificação, escassez de água, perda da biodiversidade, acidificação dos oceanos e subida do nível do mar.

Para o primeiro-ministro, a questão climática é também uma questão de justiça, uma vez que os países que menos contribuíram para a crise não devem continuar a suportar algumas das suas consequências mais graves.

DG/CP

Inforpress/Fim

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