Novo ‘ayatollah’ está vivo, garante embaixador iraniano em Lisboa

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Novo ‘ayatollah’ está vivo, garante embaixador iraniano em Lisboa
01/04/26 - 08:35 am

Lisboa, 01 Abr (Inforpress) — O novo guia e líder supremo do Irão, ‘ayatollah’ Mojtaba Khamenei, está vivo e toda a confusão em torno desta questão “não tem razão de ser”, garantiu hoje à agência Lusa o embaixador iraniano em Lisboa.

Numa entrevista à Lusa, Majid Tafreshi questionou-se por que razão o filho do anterior líder supremo Ali Khamenei, abatido a 28 de Fevereiro, no primeiro dia dos ataques lançados pelos Estados Unidos e Israel contra o Irão, não deveria estar vivo, mesmo depois de confrontado com relatos internacionais que dão conta da morte do ‘ayatollah’ Mojtaba.

“Por que não deveria estar vivo? Porque é uma mensagem. [Há muita confusão] e não sinto nenhum motivo por isso. Mas, de novo, o que é importante não é quem vai ser o próximo líder ou não”, referiu Tafreshi, escusando ir mais longe na resposta, refugiando-se na ideia da necessidade de haver paz e segurança.

Independentemente da liderança iraniana, pois Mojtaba Khamenei ainda não foi visto desde que a Assembleia de Peritos do Irão o escolheu, a 08 de Março, para suceder ao seu pai, Tafreshi desdramatizou também os aparentes silêncios da China e da Rússia, aliados tradicionais do Irão, e mesmo a nova intervenção dos rebeldes huthis do Iémen.

“Eles não podem interferir, mas estão a aumentar a atenção. Acho que é uma boa política. Mas eles têm de fazer o seu dever através dos BRICS (de que o Irão é membro desde 2023) e de outras instituições para minimizar o risco de guerra. E eles estão a fazer isso. Eles têm muitas negociações, e todos estão a falar”, afirmou.

No entanto, passado mais de um mês do ataque de grande escala israelo-americano que é denunciado por várias vozes internacionais como uma violação do direito internacional, o bloco BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Arábia Saudita, Egipto, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia e Irão) permanece em silêncio. 

Em 2025, durante a Guerra dos 12 dias, em Junho, o grupo emitiu uma declaração em que criticava os ataques de Israel e dos Estados Unidos contra o território iraniano. Nas cimeiras, os BRICS declararam sempre apoio ao direito internacional, defendendo que as intervenções estrangeiras devem estar sob autorização do Conselho de Segurança da ONU.

Para Tafreshi, os Estados Unidos e Israel têm de cessar as hostilidades e Washington e Telavive “têm de aceitar que [o ataque] foi um erro de cálculo”, tal como fizeram com Ali Khamenei “que se manteve bravamente” no gabinete na altura dos bombardeamentos.

“A condenação está de um lado e ignorar o outro lado é um desastre. Não é saudável para a segurança da sociedade. Não devemos seguir as nossas políticas para a região ou para as nacionalidades. A humanidade tem aqui de prevalecer”, disse.

Sobre os Huthis, aliados de Teerão e que estiveram um mês em silêncio, lançando um primeiro míssil contra Israel precisamente a 28 de Março, Tafreshi limitou-se a dizer que as autoridades rebeldes de Sanaa “foram atacadas pelos norte-americanos” e, daí, a resposta.

“Mas o que nós estamos a fazer é proteger todos os soldados. E os iranianos são grandes o suficiente para defender a sua própria soberania”, acrescentou Tafreshi, lembrando que o Irão é uma civilização com 3.000 anos e que sempre sobreviveu a todos os ataques de que foi alvo.

“Tudo que foi feito poderia acontecer, mas através do sistema e de eleições. Nós tivemos 47 eleições. As pessoas podem decidir o sistema. Agora, essas pessoas são as mesmas e estão a defender os seus próprios valores. E defendem o sistema. Outras pessoas não podem decidir sobre o Irão. Antes de [Donald] Trump e de Israel, já outros tinham agredido o Irão. Desde os tempos dos mongóis, dos romanos. A nossa solidariedade é a mesma. A nossa língua, a nossa religião não mudou”, argumentou.

Frisando que conflito está a gerar uma grave crise económica internacional, o diplomata iraniano defendeu que Teerão sempre procurou “estar do lado certo da História”.

“[O Estreito de] Ormuz é o mesmo Ormuz de há 50 anos, 100 anos. Por que não aconteceu nada? Agora, é um campo de batalha, cuja passagem deixou de ser segura”, referiu, aludindo o local por onde passa um quinto do petróleo mundial e que está na origem da crise mundial.

“O que precisamos é de confiança, de transparência. Nós precisamos de qualquer coisa. Por exemplo, quando [o secretário-geral da ONU] António Guterres condena algo, acho que a comunidade internacional, baseada no artigo 99.º da Carta da ONU, devia seguir e apoiá-lo. É um grande homem e deve ser apoiado”, frisou Tafreshi, lembrando as críticas que o antigo primeiro-ministro português é alvo por parte de Israel.

Em Outubro de 2024, Israel declarou Guterres ‘persona non grata’ e impediu-o de entrar no país, criticando-o pela forma como condenou um ataque do Irão a Telavive.

Inforpress/Lusa/Fim

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