
Lisboa, 19 Mai (Inforpress) – O músico Dino d'Santiago manifestou hoje gratidão à literatura e aos escritores que, segundo afirmou, o ajudaram a “sonhar o mundo” e a enfrentar “momentos difíceis da vida”.
Numa publicação divulgada nas redes sociais, o artista destacou autoras como Conceição Evaristo e Lídia Jorge, afirmando que sempre se sentiu “protegido e cercado por livros”.
“Há livros que não se limitam a ser lidos. Há livros que nos seguram pela mão quando a vida escurece”, escreveu Dino d’Santiago, acrescentando que a literatura pode devolver “linguagem para dores que ainda não sabíamos nomear”.
O músico considerou ainda que “sobreviver também pode ser uma forma de poesia” e agradeceu “a todas as escritoras e escritores” que ajudam a “guiar esta travessia pela vida”.
Na mesma publicação, o artista anunciou presença, no dia 07 de Junho, na Feira do Livro de Lisboa, associada à obra “Cicatrizes”.
Nascido no Algarve (Portugal), filho de cabo-verdianos, Dino d’Santiago construiu uma linguagem musical que mistura géneros tradicionais cabo-verdianos, como funaná, batuque e morna, com electrónica, soul, hip hop e música urbana contemporânea.
Essa combinação simboliza a circulação cultural característica da lusofonia moderna.
Outro elemento central é o uso do crioulo cabo-verdiano e do português nas suas canções.
Segundo a crítica especializada, ao alternar entre as duas línguas, o artista afirma uma identidade híbrida e dá visibilidade às experiências das comunidades migrantes lusófonas.
As letras abordam frequentemente temas como migração, racismo, pertença, memória, resistência e orgulho africano, temas ligados à história comum dos países de língua portuguesa e às vivências pós-coloniais.
Em várias músicas, Dino d’Santiago valoriza também a herança africana e o papel das periferias urbanas na construção cultural contemporânea.
O músico tem ainda colaborado com artistas de diferentes países lusófonos, reforçando pontes culturais dentro desse espaço.
O seu trabalho é muitas vezes apontado como exemplo de uma lusofonia mais plural, mestiça e contemporânea, marcada pela diversidade cultural e pelas influências da diáspora.
Álbuns como “Mundu Nôbu” e “Kriola” ilustram essa abordagem, ao combinar ritmos tradicionais cabo-verdianos com produção moderna e mensagens de afirmação identitária.
JMV/AA
Inforpress/Fim
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