
Cidade da Praia, 26 Ago (Inforpress) – A escritora cabo-verdiana Mana Guta diz que escreve sobretudo por impulso, em momentos de tristeza, necessidade de concentração ou perda, encontrando na criação literária uma forma de recuperar o equilíbrio e manter-se lúcida.
A relação com a escrita ganhou uma dimensão particularmente forte em 2012, durante a doença da mãe, período em que Mana Guta começou a escrever ficção e poesia para lidar com a dor e com as responsabilidades familiares.
“Escrevo para conseguir dormir, trabalhar, estudar, cuidar da família. Foi assim que sobrevivi”, recorda.
Até então, a sua produção estava sobretudo ligada à actividade académica, ao ensino de línguas e literatura e à actividade parlamentar.
Entre 1992 e 2012, explica, publicou essencialmente textos académicos, manuais e outros trabalhos relacionados com essas áreas.
Foi com a ficção que passou a assumir o nome Mana Guta, identidade que desde então acompanha o seu percurso literário.
Apesar de ter lido muitos autores antes de se formar em Letras, Mana Guta atribui a influência mais profunda sobre a sua escrita às pessoas que marcaram a sua infância e que, embora não soubessem escrever, lhe transmitiram conhecimentos, histórias e valores.
“São eles que falam através de mim”, afirma.
A autora identifica-se sobretudo com a prosa e os contos, apesar de ser também conhecida pela poesia, e revela preferência pelo finason quando escreve em verso.
“Escrevo por impulso, para voltar ao eixo, para continuar lúcida”, explica.
Entre as obras já publicadas encontra-se “Camões Crioulo”, que passou a integrar o Plano Nacional de Leitura, e “O Livro do Amor”, inicialmente projectado com o título “Casa da Joana”.
A escritora prepara ainda um novo livro infantojuvenil e prevê um segundo volume de “O Livro do Amor”, com cinco protagonistas provenientes de mundos periféricos e/ou com necessidades especiais.
O novo projecto dará continuidade ao universo de “Camões Crioulo”, incluindo a personagem Pitxula, com ilustrações de Jija, a mesma ilustradora de há dez anos, que agora cresceu e se tornou designer e ilustradora.
É nessa relação entre experiência pessoal, oralidade e criação que Mana Guta enquadra a sua actividade literária.
“Escrevo para continuar a ser eu”, resume.
JMV/AA
Inforpress/Fim
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