
Cidade da Praia, 26 Ago (Inforpress) – A escritora e académica cabo-verdiana Mana Guta defendeu hoje maior investimento na cultura, investigação e criação artística, considerando a literatura e as outras formas de arte instrumentos de transformação social.
Para a escritora, a cultura cabo-verdiana enfrenta desafios relacionados com a política linguística, o financiamento da produção artística, a investigação e divulgação das obras, mas também com a necessidade de criar condições para a profissionalização dos artistas.
Mana Guta considera que a actual política linguística não favorece suficientemente o desenvolvimento cultural e defende políticas públicas mais robustas, capazes de estimular a criação artística e a investigação.
A escritora entende ser necessário apoiar os autores que procuram publicar pela primeira vez e apela a um “olhar mais generoso” para os novos escritores, reconhecendo, simultaneamente, as dificuldades de sustentabilidade enfrentadas pelas editoras.
Para Mana Guta, a literatura pode assumir uma dimensão política e contribuir para mudanças sociais.
“Acredito que a literatura e as outras formas de arte são a nossa esperança de um mundo melhor”, afirmou, defendendo que o ser humano recebeu o dom de criar e de se realizar através da arte, particularmente, através da palavra.
A académica defendeu igualmente o reforço da investigação literária em Cabo Verde, embora reconheça não dispor de dados que lhe permitam fazer uma avaliação global do sector.
Observou, contudo, que os Estudos de Literatura estão a perder espaço para os Estudos Linguísticos e o Ensino de Línguas.
O contacto com os alunos influenciou também a sua produção literária, tendo três dos seus livros surgido de necessidades identificadas nas aulas dos cursos de Letras.
Ao abordar as novas gerações de investigadores e escritores cabo-verdianos, Mana Guta comparou-as a “um canteiro de lindas flores, ainda frágeis, e que precisam de água, luz e muitos cuidados de hábeis mãos”, defendendo maior atenção e apoio aos novos talentos.
A escritora defendeu ainda uma literatura mais inclusiva. Recordou que começou por trabalhar para levar textos de fruição a leitores com necessidades especiais, mas considera que estas pessoas passaram também a assumir o papel de autores.
A inclusão está igualmente presente nos seus projectos literários. O Livro do Amor, publicado numa pequena tiragem, terá continuidade num segundo volume, com cinco protagonistas provenientes de mundos periféricos e/ou com necessidades especiais.
JMV/HF
Inforpress/fim
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