
Cidade da Praia, 04 Nov (Inforpress) - Mais de 50 casos de esquistossomose urinária foram notificados no concelho de São Miguel até 11 de Outubro, de acordo com dados provisórios da semana epidemiológica 41, divulgados pelo Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP).
Em declarações à Inforpress, a vogal do conselho da INSP, Elisabete Lima, avançou que os casos notificados foram confirmados através de exames laboratoriais, mas que os dados ainda estão sujeitos a alterações.
A transmissão da doença depende da presença de pessoas infectadas que urinam na água, da existência do caracol hospedeiro do género “Bulinus” e do contacto de outras pessoas com essa água.
Conforme explicou, este caracol vive normalmente em águas doces paradas ou de corrente lenta, como tanques, ribeiras e reservatórios, estando presente na ilha de Santiago, conforme o boletim malacológico publicado pelo INSP.
Quando uma pessoa infectada urina na água onde existe o caracol hospedeiro, o parasita infecta o molusco, desenvolve-se no seu organismo e volta a ser libertado na água, podendo infectar outras pessoas através do banho, da lavagem de roupa ou de outros contactos com esse meio, detalhou.
A mesma fonte esclareceu que a doença não se transmite directamente de pessoa para pessoa e alerta que a actual época das chuvas aumenta o risco de transmissão, devido à maior disponibilidade de água nesses locais e ao afluxo de pessoas.
No âmbito da vigilância, o Laboratório de Entomologia Médica do INSP tem desenvolvido actividades de vigilância malacológica e, em colaboração com a Delegacia de Saúde de São Miguel, a câmara municipal local, os ministérios da Agricultura e do Ambiente e outros parceiros, realiza levantamento de caracóis para estudo.
Os resultados preliminares desses trabalhos encontram-se disponíveis no boletim malacológico.
Na área da vigilância epidemiológica, o INSP tem coordenado investigações desde 2022, com publicação de boletins nacionais e artigos em revistas internacionais, em 2024 e 2025.
Relativamente à distribuição da doença, a instituição indicou que a maioria dos casos se concentra no município de São Miguel, embora a localização dos registos tenha variado ao longo do tempo, com o aparecimento de casos em novas localidades do concelho.
O risco está associado sobretudo a lugares onde a população mantém contacto com águas paradas ou de corrente lenta, como tanques e ribeiras, que possam albergar caracóis hospedeiros.
O INSP alerta, entretanto, para a possibilidade de surgirem casos importados noutras localidades, mesmo sem transmissão activa nesses locais.
Para prevenir a transmissão durante e após o período das chuvas, o INSP recomenda evitar o contacto com águas de tanques, ribeiras e cachoeiras identificadas como apresentando risco de contaminação, bem como impedir que as crianças brinquem ou tomem banho nesses locais.
A instituição aconselha ainda a população a não urinar nem defecar em tanques, ribeiras e outros cursos de água e a garantir a limpeza e manutenção regular dos tanques, sob orientação das autoridades competentes.
Em caso de sintomas, como ardor ao urinar ou presença de sangue na urina ou nas fezes, a recomendação é procurar uma unidade de saúde.
O INSP adverte que o fim das chuvas não significa necessariamente o fim do risco de transmissão.
KF/AA
Inforpress/Fim
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