
Cidade da Praia, 15 Abrl (Inforpress) – O livro “Batuku de Cabo Verde – Percurso Histórico-Musical” é lançado hoje na cidade da Praia, e “reforça a consolidação do batuku” como género nacional, evidenciando “profundas transformações culturais, sociais e artísticas” na última década.
Segundo a autora, a jornalista e investigadora Gláucia Nogueira, a obra analisa a consolidação do batuku como género nacional, deixando de ser visto como uma expressão regional e reforçando a sua presença em diversos espaços culturais, académicos e mediáticos.
Contactada pela Inforpress, a investigadora afirmou que o período recente foi marcado por uma maior visibilidade do batuku, pelo surgimento de novos grupos e pela redefinição de papéis nas formações tradicionais, destacando-se novas protagonistas que recorrem a ferramentas contemporâneas de comunicação e imagem, afirmando-se simultaneamente como intérpretes e compositoras.
O estudo aponta ainda a crescente participação masculina nas rodas de batuku, fenómeno que, embora com antecedentes históricos pontuais, ganhou maior expressão na última década, conforme a mesma fonte, refletindo transformações sociais e a flexibilização de normas de género na sociedade cabo-verdiana.
Outro aspecto evidenciado é a evolução musical do género, com a introdução de novos instrumentos, como o djembé, e a fusão com outras expressões como o funaná, além da incorporação de elementos instrumentais de cordas e teclas em algumas formações contemporâneas.
A obra também analisa a projecção internacional do batuku após a sua inclusão na música “Batuka”, da artista norte-americana Madonna, no álbum “Madame X” (2019), episódio que gerou intenso debate em Cabo Verde sobre visibilidade cultural e apropriação de patrimônio imaterial.
Durante a investigação, contou a autora, a discussão dividiu opiniões entre os que valorizam a projeção global do género e os que criticam a apropriação de elementos culturais tradicionais por artistas internacionais.
A autora contextualiza ainda o fenómeno com exemplos de outras interações globais entre música popular e expressões tradicionais, sublinhando que a visibilidade internacional, embora relevante, não constitui o fator central da transformação do batuku.
Na sua análise, o principal marco do período é a consolidação do batuku como género nacional “plenamente integrado no panorama musical cabo-verdiano”, com presença em repertórios de artistas diversos e crescente circulação em espaços institucionais, incluindo museus e universidades.
O estudo refere igualmente a institucionalização do Dia Nacional do Batuku, celebrado a 31 de Julho, por decisão da Assembleia Nacional, em 2021, coincidindo com o Dia da Mulher Africana, como reconhecimento formal da importância cultural do género.
A investigação conclui que o género batuku mantém um percurso dinâmico, caracterizado por novas gerações de intérpretes, reconfiguração estética e expansão de espaços de actuação, processo que, segundo a autora, continua em evolução e pode ser acompanhado também através de plataformas digitais e projetos de arquivo cultural.
O lançamento do livro terá lugar hoje pelas 18:00, na Livraria Pedro Cardoso.
KA/AA
Inforpress/Fim
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