Literatura: Filinto Elísio defende maior projecção da obra e legado de Baltasar Lopes

Inicio | Cultura
Literatura: Filinto Elísio defende maior projecção da obra e legado de Baltasar Lopes
02/06/26 - 07:50 pm

Cidade da Praia, 02 Jun (Inforpress) – O escritor cabo-verdiano Filinto Elísio defendeu hoje uma maior projecção nacional e internacional da obra e do legado de Baltasar Lopes da Silva, considerando-o uma das figuras mais determinantes da história contemporânea de Cabo Verde.

Numa publicação na sua página na rede social Facebook, assinalando os 37 anos da morte do fundador da revista Claridade, Filinto Elísio destacou a importância de Baltasar Lopes enquanto prosador, ensaísta, poeta, linguista, advogado e professor.

Segundo o escritor, a recente criação da Cátedra Claridade, na Universidade de Estudos Internacionais de Roma, em parceria com o Instituto Isidoro Graça e a Universidade do Mindelo, constitui uma oportunidade para projectar “com mais estrondo” a figura e a obra daquele que considera um dos pilares da cultura cabo-verdiana.

“Baltasar Lopes (...) foi, talento indomável, uma das figuras determinantes da História Contemporânea de Cabo Verde”, escreveu.

Filinto Elísio sublinhou ainda o “ardente civismo” do autor de Chiquinho, defendendo que esse legado, aliado à sua contribuição literária e cultural, deve ser preservado como um dos grandes tesouros nacionais.

Baltasar Lopes da Silva, nascido na ilha de São Nicolau a 23 de Abril de 1907, faleceu em Lisboa a 28 de Maio de 1989, aos 82 anos, deixando uma obra considerada “fundamental” para a afirmação da identidade cultural cabo-verdiana e para o desenvolvimento da literatura do arquipélago.

Filólogo, poeta e ficcionista cabo-verdiano, Baltasar Lopes iniciou os estudos secundários no seminário da ilha de São Nicolau, tendo-os concluído em São Vicente. Licenciado em Direito e Filologia Românica pela Universidade de Lisboa, regressou a Cabo Verde, onde exerceu a docência no Liceu Gil Eanes, em São Vicente, sendo mais tarde nomeado reitor do estabelecimento.

Em 1936, fundou, juntamente com outros intelectuais cabo-verdianos, a revista literária Claridade, na qual colaborou activamente, ao lado de autores como Manuel Lopes, Manuel Ferreira, António Aurélio Gonçalves, Francisco José Tenreiro, Jorge Barbosa e Daniel Filipe.

Para além de contos publicados em diversas revistas, assinou também poesia sob o pseudónimo de Osvaldo Alcântara, produção reunida em várias antologias.

Em 1947, publicou o romance Chiquinho, obra que retrata com realismo a vida do povo cabo-verdiano, abordando costumes, relações familiares, paisagens e os temas da solidão e da emigração.

JMV/ZS

Inforpress/Fim

Partilhar