
Pyongyang, 18 Set (Inforpress) - A Coreia do Norte poderá responder de forma "mais ofensiva" aos frequentes exercícios militares norte-americanos na região, que agravam as tensões regionais, afirmou hoje Kim Yo Jong, a influente irmã do líder norte-coreano Kim Jong Un.
"A situação atual, em que são batidos novos recordes em termos de ações práticas hostis contra a RPDC (Coreia do Norte), sublinha a necessidade de bater recordes nas nossas ações de resposta, de natureza proporcional ou mais ofensiva", declarou Kim Yo Jong, citada pela agência de notícias KCNA
A irmã mais nova de Kim Jong Un é oficialmente diretora do Departamento de Assuntos Gerais do Comité Central do Partido dos Trabalhadores da Coreia, pronunciando-se regularmente para criticar duramente os inimigos do país.
Os Estados Unidos, a Coreia do Sul, o Japão, a Austrália, o Canadá e a Nova Zelândia realizaram, de 29 de agosto a 10 de setembro, o exercício naval conjunto anual "Pacific Vanguard" nas imediações da ilha norte-americana de Guam, no Oceano Pacífico, visando reforçar a capacidade para conduzir operações navais conjuntas na região.
Classificando estes exercícios como um "ensaio de guerra liderado pelos Estados Unidos", Kim Yo Jong afirmou que "constituem a principal fonte do agravamento constante da situação na Península Coreana e na região".
"A nossa vontade de defender a nossa soberania manifestar-se-á através de uma ação mais clara e não haverá, nunca, qualquer alteração no caminho de intensificação da dissuasão nuclear", advertiu a irmã do líder norte-coreano.
"Recordo mais uma vez ao inimigo que, caso se considere que os interesses supremos da nossa nação, bem como a sua soberania militar e o ambiente de segurança na região, foram gravemente violados pelas suas manobras militares, as forças armadas da RPDC aplicarão as disposições pertinentes, em cumprimento das suas obrigações constitucionais, e mobilizarão todos os meios disponíveis para fazer face à situação", acrescentou.
A Coreia do Norte, que realizou o seu primeiro teste nuclear em 2006 e, desde então, desenvolveu uma vasta gama de mísseis balísticos, considera a arma atómica a garantia suprema da sobrevivência do seu regime.
Sob pesadas sanções das Nações Unidas, o país não regressou à mesa das negociações sobre o seu programa nuclear desde o fracasso, em 2019, de uma segunda cimeira entre Kim Jong Un e o Presidente norte-americano Donald Trump.
O vice-ministro da Defesa norte-coreano, Kim Kang Il, pediu hoje, em Pequim, aos adversários da Coreia do Norte que abandonem as "ilusões" sobre a desnuclearização do país, afirmando que o estatuto nuclear, consagrado na Constituição, é uma "linha vermelha".
Kim interveio numa sessão plenária do Fórum Xiangshan sobre os riscos e desafios para a segurança na Ásia-Pacífico, na qual centrou o discurso na península coreana e atribuiu a escalada regional à política "hostil" dos Estados Unidos e dos seus aliados em relação a Pyongyang.
O responsável norte-coreano acusou Washington e os seus "seguidores" de realizarem exercícios militares baseados no eventual uso de armas nucleares e de ampliarem os preparativos para uma guerra nuclear na região.
Afirmou ainda que Japão e Coreia do Sul, com a "conivência" e o "incentivo" dos Estados Unidos, "prosseguem ativamente uma expansão militar imprudente destinada à aquisição de armas nucleares", e sustentou que a cooperação militar trilateral entre Washington, Tóquio e Seul está a transformar-se numa "aliança nuclear".
Kim afirmou que a política nuclear norte-coreana responde a ameaças "atuais e futuras" e advertiu que Pyongyang continuará a ampliar e reforçar a capacidade de dissuasão nuclear caso se intensifiquem as ameaças dos seus adversários.
A intervenção decorreu em Pequim, principal aliado político e económico da Coreia do Norte, num momento de intensificação dos contactos bilaterais após a visita que o Presidente chinês, Xi Jinping, realizou em junho a Pyongyang, a primeira em sete anos.
Durante a visita, Pequim e Pyongyang acordaram abrir um "novo capítulo" nas relações bilaterais e a China propôs reforçar os intercâmbios militares com a Coreia do Norte, uma formulação que Seul classificou como inédita.
Os comunicados chineses e norte-coreanos divulgados após os mais recentes contactos de alto nível não fizeram referência à desnuclearização, apesar de a China defender tradicionalmente esse objetivo para a península coreana.
Inforpress/Lusa
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