
Cidade da Praia, 02 Jun (Inforpress) – O Instituto Nacional de Estatística (INE) negou hoje as acusações de manipulação, falsificação ou ocultação de dados, e já avançou com participações judiciais.
Em resposta às acusações, o presidente do conselho directivo do INE, João Cardoso, disse ter já avançado com participações judiciais para esclarecer a origem de cartas anónimas com denúncias graves que circularam nas suas próprias plataformas digitais.
Em conferência de imprensa, em que vincou a autonomia da instituição, Cardoso disse que o INE “não pertence a um Governo, a um partido político ou a uma pessoa”.
“O INE pertence ao Estado de Cabo Verde e está ao serviço de toda a sociedade”, afirmou.
A mesma fonte defendeu a independência técnica da instituição e explicou que a produção de indicadores sobre pobreza, emprego, inflação e crescimento económico segue padrões científicos internacionais.
O presidente esclareceu duas polémicas centrais que têm a ver com o Inquérito às Despesas Familiares, afirmando que a decisão de não avançar com a estimativa da pobreza deveu-se a limitações técnicas detectadas nos dados.
Sublinhou ainda que a suspensão seguiu recomendações de especialistas e metodologias validadas pelo Banco Mundial.
Sobre a Estatísticas de Emprego e PIB, avançou que o mercado de trabalho e as contas nacionais cumprem rigorosamente as normas da Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Questionado sobre a divulgação da taxa de desemprego do terceiro trimestre de 2025 (4,9%) em vez do dado anual (6,2%) - um período que coincidiu com a campanha eleitoral -, o INE negou qualquer pressão política.
Segundo o responsável, a taxa anual real de desemprego em 2025 fixou-se nos 6,2%.
A impossibilidade de consultar este dado mais abrangente no portal da internet, explicou, deveu-se exclusivamente a avarias e limitações técnicas no site, problemas que a instituição confirmou estarem ainda em processo de resolução.
Face ao alegado uso indevido das redes da instituição para a difusão das denúncias, respondeu que o caso está agora nas mãos das autoridades competentes.
“O INE não se desviará da sua missão. Continuaremos a produzir estatísticas oficiais com independência, rigor científico e total compromisso com a verdade”, concluiu João Cardoso.
PC/AA
Inforpress/Fim
Partilhar