
Santa Maria, 03 Fev (Inforpress) – O ministro da Saúde afirmou hoje, no Sal, que a proximidade e a qualidade no acesso aos cuidados devem orientar o sistema nacional, defendendo que estes pilares são “essenciais” para garantir a resiliência do Serviço Nacional de Saúde (SNS).
Jorge Figueiredo falava na sessão de abertura do 1.º Encontro Nacional da Saúde, que decorre de 02 a 05 de Fevereiro, sob o lema “Proximidade e Qualidade – O Caminho para a Resiliência em Cabo Verde”, uma iniciativa da Direcção Nacional da Saúde, em coordenação com os diferentes departamentos do Ministério da Saúde.
"A resiliência do sistema de saúde deve ser entendida não apenas como capacidade de resposta a crises, mas como aptidão permanente para enfrentar desafios, corrigir desigualdades e garantir a confiança dos cidadãos no Serviço Nacional de Saúde", sustentou.
O ministro destacou que o encontro acontece num momento particularmente simbólico, à porta das celebrações dos 50 anos da Independência Nacional, coincidindo com as cerca de cinco décadas de construção do sistema público de saúde.
“Desde a Independência Nacional até agora, Cabo Verde percorreu um caminho extraordinário”, afirmou, salientando os ganhos alcançados ao nível do controlo das doenças infecciosas, aumento da esperança média de vida e cobertura sanitária em todo o território.
De acordo com o governante, estes resultados “não são obra do acaso, mas o produto de escolhas políticas conscientes, de planeamento estratégico consistente e de um compromisso público firme com a saúde”, a par da educação, como pilares do desenvolvimento nacional.
Jorge Figueiredo fez ainda questão de reconhecer o papel dos profissionais do sector, considerando que os avanços alcançados são “fruto da dedicação diária”, durante anos, de milhares de profissionais de saúde que colocaram o serviço público acima do interesse individual.
No entanto, alertou para os desafios actuais, num contexto de transição epidemiológica, pressões financeiras e impactos das alterações climáticas.
“Manter os ganhos alcançados sem risco de estagnação é hoje um dos maiores desafios do sistema”, advertiu, acrescentando que a sustentabilidade da saúde “é uma escolha estratégica e uma responsabilidade política central do Estado”.
Segundo dados apresentados pelo ministro, mais de 60% da carga de doença em Cabo Verde está associada às doenças crónicas não transmissíveis, o que exige “um sistema mais próximo das comunidades, mais orientado para a prevenção e mais eficiente na gestão dos recursos”.
O governante apontou igualmente a transformação digital, com destaque para a telemedicina e a digitalização dos serviços, como uma oportunidade para “vencer” a insularidade e levar cuidados de especialidade a cada cidadão, independentemente da ilha onde reside.
Para concluir, referiu a importância da nova Carta Sanitária Nacional e do Plano Nacional de Formação Médica Graduada e Especializada 2026–2045, defendendo que investir na formação e nas carreiras dos profissionais “é investir directamente na autonomia, na qualidade e na resiliência do sistema de saúde”.
O I Encontro Nacional da Saúde reúne profissionais de saúde, dirigentes, parceiros e representantes da sociedade civil, visando promover o diálogo intersectorial, fortalecer parcerias público-privadas e consolidar soluções inovadoras e sustentáveis para os principais desafios do sector.
NA/ZS
Inforpress/Fim
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