
Espargos, 23 Fev (Inforpress) – A Associação de Proprietários de Táxis do Sal classificou hoje como "lamentável" o desentendimento ocorrido entre um taxista e turistas, este domingo em Santa Maria, e apontou a desactualização de tarifas como um foco de tensão.
Em declarações à comunicação social, o presidente da associação, Samir Medina, explicou que já ouviu a versão do proprietário do veículo, uma vez que o taxista se encontrava sob custódia para ser presente ao tribunal, adiantando que este terá reagido à agressão física e verbal por parte dos turistas, no interior da viatura.
Segundo a mesma fonte, o conflito terá deflagrado após um acordo prévio sobre o preço da corrida, que os turistas posteriormente contestaram.
"O que queríamos entender é que, primeiramente, ele foi agredido. O turista acordou um preço, mas depois ficou insatisfeito e começou a chamar o taxista de 'pirata' ou algo do género", relatou o porta-voz, acrescentando que a agressão física terá começado ainda com o carro em movimento, o que levou o condutor a imobilizar a viatura e a reagir à situação de "indignação".
A associação reconhece que a reacção não foi a ideal, defendendo que o caso deveria ter sido entregue às autoridades através de queixa, mas sublinha o sentimento de revolta da classe perante tais episódios.
Para a organização representativa da classe, este incidente expõe um problema de fundo, que é a "desactualização e o descontrolo" das tarifas praticadas na ilha.
A associação admite que, devido à antiguidade da tabela oficial, alguns profissionais acabam por praticar preços diferentes, o que gera discórdia.
"Há um descontrole de tarifa. Não é aquela que é definida pela câmara municipal, nem aquela que tem de ser cobrada dentro da classe. Já apresentámos um estudo de viabilidade à autarquia para mostrar que o valor praticado tem de combater o investimento que é feito", explicou o responsável.
Neste sentido, a associação incita a Câmara Municipal do Sal a tomar uma decisão célere sobre a proposta de actualização tarifária e defende a introdução de novos mecanismos de controlo.
"Sugerimos o uso de taxímetros e a instalação de câmaras nos veículos. Com câmaras, conseguimos salvaguardar tanto o proprietário como o cliente", defendeu, frisando que o táxi é um negócio que precisa de ser rentável, mas que deve assentar num "preço justo" e transparente.
A associação concluiu apelando a um encontro urgente com a autarquia para que, uma vez aprovados os novos valores, os turistas saibam antecipadamente quanto devem pagar, evitando assim novos casos de violência que prejudicam a imagem de Cabo Verde.
NA/HF
Inforpress/Fim
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