IA generativa abre novo capítulo na intervenção das autoridades da concorrência e da regulação - especialista

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IA generativa abre novo capítulo na intervenção das autoridades da concorrência e da regulação - especialista
22/03/24 - 03:02 pm

Cidade da Praia, 22 Mar (Inforpress) – A Inteligência Artificial (IA) generativa, de que é exemplo o Chat GPT, abre novo capítulo na intervenção das autoridades da concorrência e da regulação, considera o economista sénior da Autoridade da Concorrência de Portugal, João Cardoso Pereira.

O especialista português que foi orador da primeira Conferência Internacional promovida pela Autoridade de Concorrência de Cabo Verde (AdC) na cidade da Praia, adiantou que a IA generativa foi o objecto de um estudo económico da Autoridade da Concorrência Portuguesa, no sentido de identificar algumas áreas de potencial intervenção.

Apesar de não estar muito claro qual é que vai ser o desenvolvimento da IA generativa, que diferente da inteligência artificial tradicional, como o motor de busca do Google, por exemplo, produz novos conteúdos, afirma sem dúvida que a mesma alarga a margem das entidades em termos de intervenção.

“A IA generativa dá um passo em frente. De alguma forma, tem um modelo complexo probabilístico que acaba por conseguir gerar novos conteúdos, seja sob a forma de textos, seja sob a forma de imagens, seja sob a forma de música, som ou mesmo vídeos. E, portanto, abre-se aqui um capítulo em termos de potencial intervenção, não só já agora da política da concorrência, mas também da regulação”, sustentou.

João Cardoso Pereira adiantou que na semana passada, a nível europeu, foi emitido pelo Parlamento Europeu um regulamento que vai lidar com algumas questões relacionadas com a inteligência artificial.

Neste sentido alertou que as autoridades da concorrência de Cabo Verde, incluindo a recém-criada Autoridade da Concorrência (AdC) terá aqui também possíveis linhas de intervenção, nomeadamente para assegurar acesso a determinados factores de produção que são fundamentais.

“Por exemplo, acesso a serviços de cloud, a questões como acesso a dados. E, portanto, há aqui alguma margem de intervenção para uma autoridade da concorrência”, sustentou.

Por outro lado, salientou que também é importante perceber até que ponto é que essas primeiras vantagens do chat GPT podem criar uma posição de força de domínio dentro deste mercado e em que medida é que vai adoptar algum tipo de conduta que possa ser considerada uma conduta abusiva, no sentido de manter esse controlo do mercado.

“São temas que, no fundo, ainda não temos presente como é que vai ser o desenvolvimento da tecnologia, uma vez que se trata de uma tecnologia muito recente e, portanto, ainda há aqui algumas incógnitas relativamente àquilo que será o futuro relativamente a estas matérias”, disse, mantendo, entretanto, o alerta.

João Cardoso Pereira integrou o painel sobre “Globalização e a digitalização suportada à inteligência artificial”, na conferência internacional intitulada “O ecossistema da regulação e da concorrência e os desafios de um mundo globalizado”.

De entre outros oradores estão especialistas nacionais e internacionais provindos da UNCTAD, da OCDE, da Direcção-Geral do Consumidor de Portugal, CADE do Brasil e ARC-Moçambique.

MJB/ZS

Inforpress/fim

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